Mourão diz que Bolsonaro vai largar discurso polarizado

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Vice afirmou que o presidente foi aconselhado a deixar de governar para poucos e que tendência é de que isso aconteça

BOSTON – Em evento privado em Boston, nos Estados Unidos, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro está ciente de que é preciso deixar de lado discursos extremados e polarizados. Segundo três fontes presentes no encontro, Mourão defendeu que o governo não caia em tentativas de polarização pela oposição.

Confrontado por presentes no encontro se não era o próprio presidente quem adotava uma retórica polarizada, Mourão disse que Bolsonaro foi aconselhado por seu entorno a deixar de governar para poucos e a tendência atual é de que isso aconteça.

Outro tema do encontro foi a crise na Venezuela. Mourão foi crítico à insistência dos Estados Unidos pela entrada de ajuda humanitária no país vizinho. Os EUA e a comunidade internacional esperavam que a entrada de ajuda humanitária antecipasse o fim do regime de Nicolás Maduro, o que não aconteceu.

Para Mourão, o processo foi mal gerido e mal executado, segundo fontes presentes no encontro. Os militares rechaçam a possibilidade de qualquer apoio brasileiro a uma eventual decisão dos EUA de intervenção militar na Venezuela. Mourão afirmou aos presentes que o papel do Brasil não é de pressão econômica – algo que, segundo ele, só cabe aos Estados Unidos fazer. Os EUA têm adotado sanções econômicas contra integrantes do governo de Maduro.

Para o vice-presidente, os países da América Latina demoraram demais a forçar pelas vias diplomáticas uma transição democrática na Venezuela. Ele reforçou que o Brasil seguirá na pressão diplomática.

Mourão foi acompanhado no almoço pelo ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Santos Cruz. Ao falar sobre a reforma da Previdência, Santos Cruz afirmou que a bola agora está com o Congresso, segundo as fontes presentes. O governo Bolsonaro vem sendo criticado por não fazer a articulação necessária para reunir os 308 votos suficientes para fazer sair do papel o projeto.

Beatriz Bulla e Vera Magalhães, enviadas especiais

O Estadão


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