A Tragédia Anunciada para a Economia Brasileira

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O atual governo realizou uma série de medidas que acenaram para alguns setores da economia

Na semana passada o Banco Mundial deu um banho de água fria anunciando queda na expectativa de crescimento da economia brasileira para este ano. A euforia que muitos investidores sentiram no início do atual mandato presidencial parece ter murchado significativamente.

O atual governo realizou uma série de medidas que acenaram para alguns setores da economia. Porém, elas não passaram de um populismo rasteiro sem lastro em estudos, apenas atendeu aos anseios mais emotivos de setores dominantes da economia.

Exemplo disso foi a desestruturação do IBAMA e do ICMBIO que abriram caminho para a exploração desregulada da Amazônia tanto pelo setor agroexportador quanto pelo setor extrativista. Além disso, liberou nesses poucos meses dezenas de agrotóxicos proibidos na maior parte dos países.

A histeria desses setores com essas medidas é compreensível. Foi-lhes entregue de bandeja mais territórios para explorarem e com mais facilidade, além de que tiveram acesso a insumos mais baratos que poderiam aumentar sua margem de lucro.

Porém, nosso mundo não é tão simplesmente assim. Internacionalmente essas medidas pegaram mal, além de não terem sido suficientes para reparar os danos causados por outras medidas estapafúrdias do governo que afetaram a economia.

Na sua ânsia de ser cachorro adestrado dos Estados Unidos, por pura ideologia cega, sem medir as consequências econômicas de suas ações, o governo tomou uma série de posições problemáticas e antiéticas em favor de Israel.

Defendeu a mudança da embaixada da capital israelense para Jerusalém, desrespeitando acordos internacionais. Com isso, conseguiu o desafeto do Egito, um dos principais fornecedores de insumos agrícolas do Brasil. Daí sua necessidade de liberar venenos mais baratos e perigosos para o agronegócio.

Porém a liberação desses agrotóxicos desagradou muitos compradores internacionais, tendo redes de supermercados na Europa deixado de importar produtos brasileiros por considerarem de alto risco para seus consumidores.

E não para por aí. Também por pura ideologia cega, em sua cruzada quixotesca contra comunistas, Bolsonaro ofendeu os chineses que deixaram de comprar soja brasileira para fechar negócio com os Estados Unidos.

Fora isso, o país sofre desde o governo Temer um fenômeno de desindustrialização nunca antes visto, que vem afetando a taxa de desemprego que estamos vivendo.

Nesse contexto, o terceiro setor tem ficado supersaturado com a mão de obra remanescente do fenômeno de desindustrialização. É o fenômeno que temos visto do empreendedorismo, que não gera valor real dentro da economia, apenas fornece serviços, vende produtos de valor especulativo, sem lastro e que não são tão fundamentalmente distintos dos serviços, ou revende produtos produzidos pelo 2º setor da economia.

Onde queremos chegar é que o fenômeno do empreendedorismo não produz valor real, ele apenas redistribui o valor produzido pelos dois primeiros setores (agrícola e industrial), e quando produz valor (como na forma de cursos de certificados duvidosos) esse valor não se conserva e o produto fornecido por estes empreendedores pode simplesmente desaparecer da noite para o dia.

Uma economia saudável, não consegue se sustentar para sempre apenas na base da especulação, sem ter lastro em atividades produtivas concretas, que se conservem na realidade concreta (e não somente em e-commerces, cursos de coach e etc). O mesmo vale para se sustentar a economia através do rentismo. Trata-se de uma tragédia anunciada.

Essa bolha há de estourar um dia. No entanto, o rentismo ainda tenta garantir uma sobrevida para esse modelo econômico fadado ao desastre. Daí seu interesse obsessivo pela Reforma da Previdência.

Com a Reforma da Previdência o objetivo é tornar os planos de previdência privada mais atrativos do que o ofertado pelo setor público. Assim, com mais pessoas aderindo aos planos privados, garantiria ao rentismo uma renovação da sua fonte de crescimento e concentração de renda. Mas isso significa garantir apenas mais alguns anos de sobrevida para esse modelo econômico.

Foi com o mesmo objetivo que se aprovou a PEC do Congelamento dos Investimentos em Saúde e Educação. A demanda por esses serviços nunca diminui, porém os investimentos ficaram impossibilitados de acompanhar o crescimento da demanda. Sendo assim, a iniciativa privada pode abocanhar essa demanda que não consegue ser atendida pelos serviços públicos.

Tanto no caso da Reforma da Previdência quanto no Congelamento dos Investimentos o objetivo não era sanar contas públicas. O objetivo de ambos é o sucateamento de serviços públicos para abrir caminho para iniciativa privada e gerar lucro para o rentismo.

Inclusive, é errado entendermos que a Previdência possui rombo, pois como um serviço público, seu objetivo não é ser superavitária. Como serviço público, seu objetivo é atender ao povo. O mesmo vale para os Correios, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Dessa forma, a previdência recebe recursos advindos de outras áreas além da contribuição trabalhista. São os chamados impostos vinculados, que deveriam ir diretamente para o pagamento de aposentadorias e pensões.

Seu objetivo é garantir dignidade e justiça social como no pagamento do Benefício de Prestação Continuada, cujos beneficiários são pessoas com deficiência e idosos acima de 65 anos em situação de miséria, mesmo que estes nunca tenham contribuído com o INSS.

Da Redaçao

RO24horas


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