A Violência e Histeria dos Últimos Tempos

Banner na materia inicio  816 x90

Não é novidade, muito menos surpresa para ninguém a escalada da violência no país. No entanto, ano passado o estado de Rondônia registrou queda no número de mortes violentas segundo o Monitor da Violência do G1, porém ainda assim o estado se manteve acima da média nacional.

No primeiro trimestre de 2019, porém a história foi outra. Com a greve dos agentes penitenciários e a intervenção militar no sistema prisional houve aumento da violência em comparação ao mesmo período do ano passado.

Além dos casos tipicamente associados ao crescimento desenfreado da desigualdade social e do desemprego gerado pela crise econômica e política que temos vivido nos últimos anos, casos envolvendo motivo torpe ou motivados por ódio têm se tornado cada vez mais frequente.

Exemplo disso foi o que ocorreu em novembro do ano passado em Porto Velho quando um homem de 43 anos, que sofria de depressão e estava para ser internado compulsoriamente pela família devido à gravidade do seu caso, foi queimado vivo pela ex companheira que já teria agredido o sujeito em outras ocasiões, inclusive com queimaduras de cigarro.

Casos assim, onde fica difícil determinar o que é mais absurdo quase viraram rotina. Nesse mesmo caso referido, onde a ré foi condenada por homicídio triplamente qualificado, quando foi presa tentou justificar o crime na delegacia sob a alegação de que a vítima teria tido “relações homossexuais”.

Ora, tamanha audácia. Segundo os familiares seria mentira a alegação, porém o mais absurdo disso tudo não é a tentativa de “caluniar” a vítima, mas sim pressupor que o fato de uma vítima ser homossexual justificasse ela ser queimada viva enquanto a mesma estava dormindo.

Já que tocamos no assunto, vamos lembrar do caso Dandara que ocorreu em 2017 no Ceará. Nesse ano, as redes sociais ficaram chocadas com a divulgação de um vídeo onde jovens apedrejavam e espancavam com pauladas uma travesti que depois das agressões foi executada com tiros na cabeça.

As imagens eram de revirar o estômago e os agressores sequer tiveram a preocupação de esconder seus rostos enquanto produziam uma das cenas mais chocantes de violência gratuita já gravadas no país. Tal como a acusada de ter incendiado o homem em Porto Velho em novembro do ano passado, parece existir algo em comum aí.

Para a acusada em Porto Velho parecia que o fato da sua vítima ter tido “relações homossexuais” tornava as suas ações menos grotescas. No caso de 2017 do Ceará, os agressores postaram o vídeo sem a menor preocupação com as repercussões do caso. Quantas vezes já vimos alguém se filmar agredindo brutalmente um cachorro e postar o vídeo nas redes sociais mostrando seu rosto sem a menor preocupação? Ou ainda, numa comparação diferente, quantas vezes já vimos alguém se filmar invadindo uma casa, filmando o próprio rosto, furtando objetos de valor, fugindo e, então postar o vídeo nas redes sociais da mesma maneira que os algozes de Dandara?

Será possível que essa seja a mentalidade que tem regido a nossa sociedade? Quando foi que perdemos a nossa humanidade? Ou será que já a tivemos? Pois pensando bem, por mais que hoje sejam mais comuns e frequentes os absurdos, não é de hoje que eles vêm ocorrendo.
Em 2011, se pararmos para lembrar um pai teve sua orelha decepada por uma mordida enquanto andava abraçado com o filho no interior de São Paulo. Os agressores teriam confundido os dois com um casal gay.

É surreal. Seja homossexual ou não, você pode acabar sendo agredido e mutilado por pessoas raivosas enquanto passeia com o seu filho abraçado, uma cena que não possui nada de incomum, nada de malícia pra além da mente perversa de alguns.

Seja homossexual ou não, você pode ter isso como justifica para te atearem fogo enquanto dorme. Antes tivéssemos apenas que nos preocupar com o aumento da criminalidade e violência alimentadas pela crise. São tempos histéricos.

Da Redação


Todo e qualquer comentário é de inteira responsabilidade do seu autor e em nada tem a participação do site RO24HORAS
Loading...