Aerococa: O “Aviãozinho Presidencial” e o que isso nos diz sobre nossa Democracia

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É chocante! Parece que o inacreditável virou rotina no país. Um militar brasileiro acaba de ser preso na Espanha tentando contrabandear 39kg de cocaína através do avião presidencial. Aviãozinho na favela leva chumbo grosso, mas quando o avião é presidencial pode transportar quase 40kg de entorpecentes.

Não bastassem os sucessivos vexames internacionais que temos passado, agora a comitiva presidencial se envolve em um escândalo desse porte. Mas melhor aproveitarmos o momento para fazermos uma análise sobre o ponto que chegamos, ao invés de chorarmos ou rirmos de desespero.

Quem diria que o político carioca que mandou carta de agradecimento ao governo da Indonésia após a execução de um brasileiro condenado por tráfico internacional de drogas, estaria hoje permeado de associações criminosas. Até quando o presidente irá manter sua posição radical em apoio a pena de morte?

Parece coincidência, pois tem sido recorrente pessoas que publicamente defendiam posições extremistas, com discursos altamente moralistas contra a corrupção, caírem em desgraça. Seria o caso de que em casa de ferreiro, espeto é de pau? Na verdade, não exatamente, pois frequentemente esses ferreiros nunca tiveram um espeto para vender – apenas discurso.

Sérgio Moro, o paladino contra a corrupção, e seu fiel escudeiro Dallagnol experimentam agora a queda. Muito antes deles, Aécio Neves, que um dia fora candidato à presidência e nas últimas eleições penou para conseguir manter o foro privilegiado ganhando um cargo de deputado. Isso depois de ter sido envolvido em diversos escândalos de corrupção.

Michel Temer, outro que não perdia a oportunidade de proferir seus moralismos rasteiros em televisão chegou a experimentar alguns dias entre as grades. E como não mencionar, Eduardo Cunha? Pastor, que conduziu um processo de impeachment por revanchismo, foi um dos primeiros a cair dos céus.

O que todos esses possuem em comum? De alguma forma contribuíram para que a crise política que vivemos hoje fosse agravada ao ponto de se estar colocando em dúvida todas as instituições.
Ontem, durante a sabatina de Glenn Greenwald, o jornalista e editor-chefe do The Intercept, reiterou inúmeras vezes sua confiança nas garantias constitucionais do Brasil. Entretanto, Glenn não deveria ficar tão confortável. O assassinato de Marielle Franco até agora encontra-se um mistério, embora as investigações apontem um vizinho de Bolsonaro como suspeito de ser o mandante.

Nossas instituições andam tão frágeis que permitem a Polícia Militar do Rio de Janeiro disparar saraivadas de fuzis e rifles nas favelas, vitimando moradores por balas perdidas pelo “crime” de serem pobres. Sem falar da soltura dos militares acusados de fuzilar com 88 tiros um músico que dirigia seu carro com sua família.

E o que dizer, então, sobre o fato de o atual presidente da República ter sido defendido em campanha por grupos que desprezavam a democracia pedindo pela volta da ditadura militar? Nunca vivemos momento de instabilidade tão profunda das instituições democráticas em nossa história recente.

Dessa forma, é louvável a fé de Glenn Greenwald, brasileiro naturalizado, em nossas instituições. Ele que ontem foi alvo, assim como seu marido, de diversas ofensas homofóbicas, justamente na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados! Nunca a palavra “escandalizante” se fez tão fácil de usar no cotidiano, diga-se de passagem.

Da Redação


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