Como as Redes Sociais Transformaram o Mundo

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Especialmente nos últimos 10 anos houve o “boom” das redes sociais com o fim do Orkut e a massificação do Facebook, Twitter, Instagram, entre outras redes. Além disso, o acesso aos smartphones e à internet também foi popularizado e hoje no Brasil a maioria dos internautas acessam a rede mundial de computadores pela telefonia móvel. Esses foi o pano de fundo de como as redes sociais transformaram o mundo.

Segundo dados do portal Techtudo em reportagem de fevereiro de 2019, 66% da população nacional estão nas redes sociais, e desses brasileiros, 130 milhões acessam essas redes pelo telefone celular.

E o que esses números significam? Que a maioria esmagadora dos usuários de redes sociais estão altamente disponíveis para consumir redes sociais ao longo do dia, uma vez que não dependem de laptops ou desktops para acessar os conteúdos de última hora.

Há 10 anos atrás, dificilmente conseguiríamos imaginar algo do tipo. É como se 130 milhões de brasileiros andasse com um “Plantão da Globo” no bolso durante o seu dia a dia. Mas na verdade, é muito mais do que isso.
É muito maior a diferença entre as redes sociais e o telejornalismo clássico da televisão é muito maior. O impacto causado pelas primeiras é significativamente mais profundo. Não só pelo acesso a cada segundo e em qualquer lugar à comunicação. Mas especialmente pelo caráter interativo das redes sociais.

Qualquer coisa pode virar assunto do momento (ou trending topics). Além de que qualquer pessoa ou grupo social consegue emplacar um trending topic. Entretanto, é óbvio que assim como os assuntos que chegavam ao telejornalismo clássico através de influência política, econômica ou social, as redes sociais também não estão isentas de manipulação.

É só nos lembrarmos das últimas eleições presidenciais no Brasil e nos Estados Unidos, quando houveram candidaturas que se valeram de análise de dados, uso de contas bots para impulsionar trending topics, automatização de mensagens em massa pelo WhatsApp e, o mais assustador de tudo isso, as Fake News.

Vamos nos ater mais às Fake News nas redes sociais. Quem nunca caiu numa Fake New? Todos nós estamos sujeitos a cairmos numa Fake New produzida espontaneamente, ainda que cheia de boas intenções, ou produzida sob medida para influenciar a opinião pública de um ou mais grupos sociais.

Como havíamos dito, as redes sociais permitem que qualquer pessoa ou grupo social possa emplacar um trending topic. Porém, isto pode virar uma excelente oportunidade para grupos sociais e pessoas de interesses escusos para propagar notícias falsas, calúnias e difamações. Se formos eleger um lado sombrio das redes sociais, esse é certamente o melhor candidato.

Isso não é bancar profeta do apocalipse, do final dos tempos. A internet e as redes sociais nos trouxeram benefícios inacreditáveis: Com elas conseguimos ter acesso a serviços, produtos, informações sobre serviços e benefícios governamentais. Pelo YouTube, podemos aprender passo a passo como rebocar uma parede sem nunca termos virado massa na vida.

Mas com a mesma facilidade que se propaga informação na internet e nas redes sociais, também se propaga muita desinformação. Isso tudo num nível capaz de influenciar os resultados eleitorais de nações de proporções continentais fazendo mesmo renomados institutos de pesquisa passarem vergonha.

Alguns podem se sentir tentados a minimizar esse cenário, afirmando que possuímos leis que coíbem a calúnia, a difamação e a injúria no mundo real. Porém, é muito diferente caluniar, difamar e injuriar no mundo real comparado a fazer o mesmo nas redes sociais.

Afinal de contas, quando fazemos algo do tipo numa mesa de bar, nossas declarações só são ouvidas pelas pessoas daquele espaço. Nas redes sociais o alcance do que dizemos tem potencial de ter alcance mundial (qualquer pessoa pode iniciar um trending topic, lembra?).

Dessa forma, o potencial de dano causado por nossas declarações ou pelas Fake News é imensurável em comparação a fazer o mesmo no mundo real. Disso podemos concluir que nossa legislação está defasada para atuar na realidade que vivemos. Ela nem coíbe esse tipo de prática nas redes sociais, nem responde a elas rápido o suficiente, nem sequer é capaz de reparar adequadamente o dano causado por elas.

Esse tipo de conclusão se justifica, pois mesmo que a justiça determine a remoção de determinado conteúdo, seu estrago já foi feito e não há formas de se garantir uma retratação com o mesmo alcance (por mais que todos possam iniciar um trending topic, não há garantias, nem mesmo patrocínio de publicações, de que um assunto se tornará um trending topic).

Sendo assim, precisamos desenvolver uma solução adequada para essa nova realidade que vivemos. Tal como o Marco Civil da Internet, de iniciativa popular, precisamos de um amplo debate democrático, com ampla participação popular para discutir possíveis soluções legislativas. Ênfase na participação popular: pois caso esse assunto se restrinja à classe política brasileira, nesses tempos sombrios, podemos descambar para a censura e ao autoritarismo.

Da Redação


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