Fontana: Bolsonaro não vai conseguir governar por muito tempo

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Deputado federal afirmou, durante o 3° Encontro de Assinantes do 247, em Porto Alegre, que as variáveis que mantêm a estabilidade de um governo são um desastre com o atual presidente e que Bolsonaro não conseguirá governar o Brasil por muito tempo; “Não é uma questão de eu querer ou não querer”, disse; apesar disso, avalia que não é o momento de pedir a saída do presidente, mas sim do projeto; assista

O deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul Henrique Fontana disse, no 3° Encontro de Assinantes do 247, em Porto Alegre, no último dia 25, que não acredita que o presidente Jair Bolsonaro conseguirá governar por muito mais tempo o Brasil. Ele também afirmou que não é o momento de pedir a saída do presidente, opinou sobre o erro de Ciro Gomes de alimentar o antipetismo e falou da importância da mobilização popular contra a extrema-direita.

No início de sua fala, Fontana afirmou que faria uma “confissão”: a de que não imaginava que Bolsonaro poderia chegar ao Planalto. “Eu nunca imaginei que o Bolsonaro iria ser presidente. A gente tem que ter um aprendizado mais profundo com a política porque este ambiente de caos institucional, de avanço das ideias de ultra-direita, nós imaginávamos que não iria acontecer”.

Para o deputado, apesar de Bolsonaro ter sido eleito, ele não vai conseguir governar o Brasil por muito tempo. “Bolsonaro não vai conseguir governar o Brasil por muito tempo, não é uma questão de eu querer ou não querer, todas as variáveis que mostram como é que se estabiliza um governo, por exemplo a economia, se a economia começasse a dar certo, mesmo um presidente de extrema-direita com as características do Bolsonaro, extremamente negativas, poderia se estabilizar no governo, mas a economia não vai dar certo porque não tem nenhum lugar no mundo no qual o fundamentalismo liberal produziu um resultado positivo para a maioria da população. Na política, que é o nosso cotidiano, o Bolsonaro se elegeu em cima de dois fatores fundamentais: ‘sou o anti-establishment, esse caos institucional, corrupção, político é tudo ladrão, política não muda minha vida, quero alguém que bote ordem nesse país porque não vai ser com esse negócio de democracia, de participar de conselho, de muito diálogo que nós vamos resolver, eu quero um cara que vá lá e resolva esse troço'”.

Henrique Fontana revelou que durante sua carreira política conviveu por anos com Bolsonaro no parlamento e que a especialidade do agora presidente era atacar a esquerda. “Eu sou deputado federal no sexto mandato, no outros cinco eu convivi cotidianamente com Bolsonaro, tudo que a gente dizia na campanha não adiantou nada porque nada colava mas é fato, o que ele fez nesses cinco mandatos que eu convivo com ele? Ele nunca foi um formulador, a especialidade dele era falar mal da esquerda, brigar com a esquerda e defender a ditadura, com isso ele foi indo, qualquer polêmica servia para ele. Em um país que foi ampliando espaços das polêmicas simplificadoras que impedem as pessoas de compreenderem as causas reais do que determina determinados fatos históricos e sociais isso foi colando. Não há como presidir o país com um discurso 100% anti-establishment porque as contradições são muito profundas, não há como fazer isso”.

Apesar das críticas a Bolsonaro, Fontana avalia que não é o momento de pedir a saída do presidente. Para ele, isso facilitaria o processo da extrema-direita de colocar no poder o vice-presidente Hamilton Mourão. “Eu acho que não é o momento de falar ‘fora Bolsonaro’, o momento é de falar ‘fora projeto de Bolsonaro’ porque se não nós podemos alimentar, fora de hora, uma facilitação para a extrema-direita colocar o Mourão de presidente”.

O deputado federal também alertou sobre a importância da acolhida dos arrependidos eleitores de Bolsonaro por parte dos campos progressistas. “Não coloquem o dedo em riste no nariz de um eleitor do Bolsonaro quando encontrarem um eleitor do Bolsonaro arrependido, pelo contrário. Em vez de colocarem o dedo em riste abram os braços, porque nós queremos essa pessoa conosco de novo, nós queremos essa pessoa para reconstruir um projeto de nação a partir do lugar que a gente esteja”.

Sobre Ciro Gomes, Fontana analisou que o erro do ex-ministro é alimentar o antipetismo e enfraquecer possíveis alianças entre seu partido, PDT, e a esquerda. “É verdade que o Ciro tem errado ao alimentar um antipetismo, que foi um dos pilares do golpe, ele está errado nisso. Mas bom, todo grande líder pode cometer erros e a nossa função, que somos da base, é corrigir esses líderes quando eles estão errados. Eu percebo que a maioria do PDT quer compor as alianças, o desejo da nossa base social, ela quer, por exemplo, candidaturas que unifiquem ao máximo nosso campo político na disputa das prefeituras que vem aí. Ele não compreendeu que aqui no brasil, óbvio que tem um centro com quem conversar, mas há uma polarização real. A política brasileira tem essa polarização e terá por muitos anos, um campo que estará nessa disputa é o campo que defende o mundo do trabalho, dos direitos e distribuição de renda e o outro campo organiza o conservadorismo”.

O deputado Federal ainda comentou sobre a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que iria para casa caso a reforma da Previdência não fosse aprovada nos moldes originais. “Se ele quer pegar o avião e ir cuidar de novo dos fundos que ele sempre cuidou onde ele ganhou muito dinheiro ele que pegue o avião e vá cuidar dos fundos dele. Se ele não tem proposta para governar o Brasil, para gerar emprego, política industrial, uma política econômica, retomar programas de investimentos, em investimentos públicos, em habitação popular”.

Henrique Fontana defendeu a luta contra tudo que Bolsonaro representa. “O principal, na minha opinião, é fazer a luta política e o debate político com a profundidade e complexidade que o momento exige para construirmos maioria social, esse é o jogo. Nós temos que conquistar as mentes, o coração, a alma, a convicção ideológica e programática das pessoas onde elas estão, com um discurso que consiga dialogar com elas no mundo onde elas estão para que as ideias de esquerda, progressistas, de solidariedade, de igualdade, de combate aos preconceitos, de respeito às minorias, contra a violência, contra o armamento da população, de uma outra visão de economia que não seja o corta corta e a visão liberal, nós temos que conquistar e ganhar maioria, em cada um desses debates. Enquanto corre o governo Bolsonaro o que menos nos interessa é isolar o Bolsonaro como o foco ao qual nós nos opomos, nós nos opomos ao que o Bolsonaro representa, ao programa do Bolsonaro, às ideias atrasadas que ele lidera e conduz com outras pessoas então nós temos que constituir maioria”.

Ele ainda deixou uma mensagem de otimismo para a população brasileira dizendo que o momento do país será uma página virada com a “ação efetiva do povo”. “Não há período na história de nenhum país do mundo, e muito menos do nosso Brasil, em que um projeto dantesco, de extrema-direita, com todas as negatividades que representa este projeto liderado pelo Bolsonaro, não há período na história em que uma página como essa não se vire. Como é que se viram as páginas da história de um país? Com ação efetiva de um povo, que vive suas experiências, que perde, que sofre, que se desemprega, que é agredido, e estas experiências reais, fáticas mexem com a alma e com a cabeças das pessoas e, portanto, nós temos é que acolher esses sentimentos e a esquerda precisa construir sua unidade e apresentar alternativas para que esta mente e esta alma que percebe que embarcou errado no bolsonarismo, que ela não saia do bolsonarismo para o ceticismo paralisante, que ela saia do bolsonarismo para uma proposta generosa com potencialidade de acreditar que a participação dela pode levar a uma sociedade melhor para ela e para os filhos dela, esse é o jogo. É nosso jogo que a gente encontra força para estar lá, minoritariamente mas com bastante capacidade de resistência, na Câmara Federal”.

Do Brasil 247


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