Glenn Greenwald na Comissão de Direitos Humanos

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No dia 25 de junho a Glenn Greenwald compareceu à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre os vazamentos da Lava Jato veiculados em série de reportagens pelo The Intercept Brasil e em outras reportagens em colaboração com Reinaldo Azevedo e a Folha de São Paulo.

Em uma sessão que durou cerca de 6 horas o jornalista americano precisou dar uma aula de como funciona o jornalismo no Brasil e como as atuações da profissão são resguardadas pela Constituição Federal de 1988.

Mesmo os deputados da base do governo estando extremamente despreparados para o debate, seguiram a estratégia oficial do governo Bolsonaro, do ministro Sérgio Moro e do Ministério Público Federal. Reiteradamente tentaram intimidar Glenn Greenwald acusando abertamente de colaborar com a suposta invasão dos celulares dos procuradores da Lava Jato.

Como já esmiuçamos aqui em artigos anteriores, sequer sabe-se a origem dos vazamentos. Ainda que tivesse origem criminosa, os jornalistas possuem direito de publicar qualquer material que chegue em suas mãos, desde que garantida a veracidade das informações. A grande mídia mesmo se valeu disso para publicar os áudios ilegais da presidente Dilma Rousseff e Lula anos atrás. O crime é de quem vazou, não da imprensa.

Além da intimidação, deputados da base do governo Bolsonaro tentaram desmoralizar a imagem do editor-chefe do The Intercept fazendo uso de teorias conspiratórias divulgadas pelo Twitter – que também já esmiuçamos em outro artigo. Entretanto, a tentativa não emplacou e caiu no ridículo.

Glenn ainda desafiou aos deputados governistas que provassem suas acusações e teorias conspiratórias. Como bom advogado constitucionalista que ele é, relembrou os deputados de que o ônus da prova compete a quem acusa e que da parte dele, ele tem fornecido provas de suas acusações contra Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato. Falta aos deputados conspiracionistas e achincalhadores fornecerem as provas de suas acusações contra o americano.

Em resposta a uma deputada governista que desafiou o jornalista a exibir os áudios que possui para finalmente comprovar a veracidade do conteúdo, Glenn explicou como funciona o trabalho de jornalista em cima de um material desse porte. Antes de divulgar o material, é preciso fazer a checagem dos fatos e separar conteúdos que sejam de interesse público – descartando conteúdo privado de Moro e dos procuradores. Por fim, ainda rebateu a deputada declarando que ela “vai se arrepender de ter pedido isso”.

O tempo todo o jornalista se manteve com serenidade e respondeu com altivez às perguntas, limitando-se a respostas objetivas para não dar vazão a teorias conspiratórias. Entretanto, não faltaram tentativas de desestabilizá-lo.

Como é de conhecimento público, Glenn Greenwald é homossexual e atualmente casado com David Miranda, atual Deputado Federal pelo PSOL. Inúmeras vezes fizeram-se insinuações desrespeitosas contra Glenn e seu marido. Diante disso, novamente o americano precisou dar uma aula civilidade de direito aos deputados da base do governo, relembrando que o casamento igualitário é resguardado pela justiça brasileira, assim como na maior parte das democracias no mundo.

Se por um lado a participação do editor-chefe do The Intercept foi esclarecedora e um show de civilidade, por outro lado a participação da base aliada de Bolsonaro foi um show de horrores. Mais uma vez esses deputados levam o povo brasileiro a passar vexame. Homofobia, teorias da conspiração, acusações sem provas, gritaria e outras formas de desrespeito em plena Comissão de Direitos Humanos.

Diga-se de passagem, Glenn foi à comissão voluntariamente e poderia ter ido embora sem precisar justificar coisa alguma a hora que quisesse. O que só torna ainda mais vexatória a conduta dos deputados bolsonaristas.

Por fim, ainda não se sabe se pelas mãos de Bolsonaro, ou pela Secretaria de Comunicação da Câmara ou pelo Presidente da Câmara, a transmissão ao vivo pela televisão foi boicotada. Mesmo assim, o canal do YouTube da Câmara dos Deputados bateu recorde de audiência da transmissão ao vivo. Seja lá quem for o responsável, parece temer o peso da verdade.

Da Redação


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