“Melindra alguém cujo apoio é importante”: Moro saiu em defesa de FHC

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Nestes novos trechos, uma conversa em específico chama a atenção.

Na noite de 18 de junho foram divulgados nos trechos da série #VazaJato pelo The Intercept Brasil. Mais cedo neste dia, a página oficial do portal de notícias havia anunciado que o próximo capítulo estava próximo e que envolveria um ex-presidente. Tratava-se de Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente que exerceu dois mandatos consecutivos na década de 90.

Nestes novos trechos, uma conversa em específico chama a atenção. Numa troca de mensagens em 2017, um dia após o Jornal Nacional noticiar uma investigação tendo FHC como alvo, Sérgio Moro, atual Ministro da Justiça, questiona Deltan Dallagnol se haveria algum indício sério contra o ex-presidente tucano.

“Moro – 09:07:39 – Tem alguma coisa mesmo seria do FHC? O que vi na TV pareceu muito fraco?
Moro – 09:08:18 – Caixa 2 de 96?
Dallagnol – 10:50:42 – Em pp sim, o que tem é mto fraco
Moro – 11:35:19 – Não estaria mais do que prescrito?
Dallagnol – 13:26:42 – Foi enviado pra SP sem se analisar prescrição
Dallagnol – 13:27:27 – Suponho que de propósito. Talvez para passar recado de imparcialidade
Moro – 13:52:51 – Ah, não sei. Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante” (Fonte: The Intercept Brasil)

Dallagnol concorda com a fraqueza do caso apresentado pela Globo, e cogita a possibilidade de a investigação ter sido iniciada pelo Ministério Público Federal com o objetivo de transparecer imparcialidade. Diante disto, Moro diz achar “[…] questionável, pois melindra alguém cujo apoio é importante.”

FHC mais de uma vez declarou apoio à Lava Jato. Daí a preocupação do ex-juiz federal, pois o MPF estaria disparando fogo-amigo. No entanto, as suspeitas sobre Fernando Henrique Cardoso recaíam sobre um possível caso de caixa 2 que teria ocorrido em 1996, portanto, se tratava de um caso prescrito e que não oferecia risco real ao ex-presidente.

Contextualizando, alguns meses antes desses acontecimentos petistas e militantes de esquerda conseguiram inflamar denúncias contra Sérgio Moro após a divulgação de uma icônica fotografia onde o ex-juiz federal posa numa foto interagindo descontraidamente com Aécio Neves e o ex-presidente Michel Temer. Bom lembrar que ambos já haviam sido citados mais de uma vez em delações premiadas no âmbito da Lava Jato.

Portanto, a investigação contra Fernando Henrique Cardoso não era nada mais que um pequeno sacrifício para, nas palavras de Dallagnol, “passar um recado de imparcialidade.” Tratava-se apenas de um arranhão superficial na imagem pública do tucano (logo esquecido pela mídia), mas garantiu à força-tarefa credibilidade na época.

Entretanto, FHC foi citado nove vezes em delações premiadas, onde nem todos os possíveis crimes denunciados teriam prescrito. Além disso, nos novos vazamentos é revelado que os procuradores haviam tido conhecimento de indícios de lavagem de dinheiro do ex-presidente tucano através do Instituto FHC, recebendo depósitos mensais que somados chegavam a quase 1 milhão de reais entre 2011 e 2012.

Entretanto, ainda assim a única investigação realizada foi aquela cujos fatos já estavam prescritos, e a investigação foi arquivada poucos meses depois. Não é possível saber ainda de que maneira os políticos tucanos foram blindados, mas essa nova “fornada” de vazamentos deixa evidente que o Ministério Público Federal tinha conhecimento de práticas ilícitas e até indícios suficientes para iniciar uma investigação.

Ironicamente, FHC havia reagido com desdém em relação à #VazaJato. Alegando que se tratava de mera “tempestade em copo d’água”. Glenn Greenwald do The Intercept, ironizou o ex-presidente no Twitter após a divulgação do vazamento: “A gratidão de FHC é compreensível.”

Por fim, quando Fernando Henrique Cardoso saiu em defesa de Sérgio Moro quando o The Intercept Brasil iniciou a série de reportagens #VazaJato, o ex-presidente mal podia esperar que os próximos vazamentos seriam tão comprometedores que implicariam ele próprio.

Da Redação

RO24horas


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