Moro no Senado: entenda a estratégia do ministro para se proteger

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Na última quarta-feira, 19 de junho, Sérgio Moro foi convocado pelo Senado para prestar esclarecimentos sobre os vazamentos de mensagens do Telegram noticiados pelo The Intercept Brasil. Nas mensagens, o ex-juiz federal, responsável por diversas condenações de investigados pela Operação Lava Jato, é mostrado coordenando a equipe de procurados da força-tarefa.

Entre conselhos estratégicos e censuras quando os integrantes “melindravam” quem não deviam, as mensagens revelam comprometimento da imparcialidade exigida a um juiz. No mínimo, faltou a Sérgio Moro a humildade de assumir sua parcialidade e deixar os holofotes para que outro juiz tomasse seu lugar.

No máximo, Sérgio Moro coordenou uma operação criminosa que em seu auge destruiu o setor de construção nacional e deliberadamente violou direitos fundamentais garantidos pela constituição.

Se cidadãos renomados como um ex-presidente e empresários ricaços com advogados internacionalmente reconhecidos podem sofrer arbitrariedades, o que protegeria a nós, cidadãos e cidadãs comuns, de sofrermos coisa parecida ou pior? Pau que bate que Francisco, não pensa duas vezes antes de bater em Chico.

Esse era o pano de fundo geral que montava o cenário para o questionamento de Moro no Senado. Sob o risco de aquecer a coleta de assinaturas para instauração de CPI contra o Ministro da Justiça, Sérgio Moro não teve outra escolha além de comparecer à CCJ.

Sem grandes polêmicas, o ex-juiz federal seguiu a narrativa oficial que tanto o governo, quanto o MPF têm seguido: desviar o foco para uma suposta ação criminosa de hackers que estariam atacando as instituições para libertar corruptos; desqualificar seus críticos; e tachar de sensacionalista a forma como o The Intercept Brasil vem divulgando as mensagens.

Moro sabe que não pode negar categoricamente o conteúdo das mensagens expostas por Glenn Greenwald. Caso o americano do The Intercept tenha cartas na manga para provar a veracidade do conteúdo, o ex-juiz federal seria desmascarado e sofreria uma brutal mutilação em sua imagem pública.

Entretanto, o Ministro da Justiça precisa minimizar o peso das mensagens para desqualificar as conclusões que toda a mídia (com exceção do grupo Globo) têm reverberado: de conluio e conspiração com o MPF. Sendo assim, o ministro fica num paradoxo entre afirmar que as mensagens “não têm nada de mais” e considerar que as mensagens podem ter sido adulteradas.

Sim, o ministro está em cima do muro. Se as mensagens não tiverem indícios de crime, então são verdadeiras; se as mensagens tiverem indícios de crime, então foram adulteradas. Em suma, essa foi a mensagem de Sérgio Moro para a sociedade brasileira.

Ainda, o ministro alega não ser possível recuperar as mensagens em seu celular por tê-las deletado. Entretanto, o próprio Telegram desmentiu essa alegação afirmando que o aplicativo permite sim a recuperação de mensagens deletadas pelo usuário.

Sobre a forma como o The Intercept Brasil vêm divulgando a série #VazaJato, o ex-juiz federal precisa esconder sua mão amarela, pois ele próprio só ocupa o atual cargo de vassalo de Bolsonaro graças a fake news envolvendo mamadeiras de piroca entre outras boçalidades, fora o vazamento da delação de Palocci poucos dias antes do segundo turno – delação que foi rejeitada por falta de provas e inconsistências.

De vazamentos o ministro entende bastante, e sabe que o The Intercept jamais entregaria todo seu dossiê de uma vez. Se o fizer, O Globo blindaria o governo com uma enxurrada de desinformação (como já fez antes) e logo essa se tornaria mais uma polêmica enterrada na canelada pelo governo.

Para finalizar, falta entender um pouco o papel destoante do grupo Globo em relação ao resto dos veículos de informação nacionais. A maior missão pós-impeachment têm sido a Reforma da Previdência, que Temer não foi capaz de passar no congresso. A aprovação dessa reforma era uma das maiores expectativas dos banqueiros e rentistas para com o governo Bolsonaro.

Sendo assim, com mais essa crise que o governo sofre, fora a constante perda de capital político dentro do congresso nacional, o sonho de se aprovar a Reforma da Previdência se vê cada vez mais longe – para o alívio do povo trabalhador, diga-se de passagem.

Porém, já diz o ditado popular que a esperança é a última que morre. Por isso, provavelmente o grupo Globo, sempre muito bem alinhado com os interesses dos grandes bancos, talvez ainda tenha uma centelha de otimismo sobre o governo ser capaz de se recuperar e entregar a previdência numa bandeja de prata antes de ser enterrado na lata de lixo da história.

Da Redação


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