#VazaJato: Hackearam o Telegram?

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Essa semana o assunto mais interessante é a especulação sobre a ação de hackers que teriam roubado dados do Telegram e fornecido ao The Intercept Brasil.

Não é preciso lembrar aos leitores sobre a polêmica do mês de junho: A #VazaJato. Essa semana o assunto mais interessante é a especulação sobre a ação de hackers que teriam roubado dados do Telegram e fornecido ao The Intercept Brasil.

Primeiro de tudo, precisamos evidenciar que nem Sérgio Moro, nem DeltanDallagnol, nem o Ministério Público Federal estão oficialmente negando o conteúdo das mensagens. Inclusive, em primeiro momento, o Ministro da Justiça declarou não ver nada de mais sobre suas mensagens vazadas. Depois, alegou não se lembrar se tinha ou não escrito aquelas mensagens.

Se não negam a veracidade do conteúdo é porque têm medo de serem jogados na contradição por novos vazamentos. Sendo assim, o governo Bolsonaro, que tem a força-tarefa da Lava Jato como um dos seus principais sustentáculos, decidiu adotar uma estratégia de desvio de foco: Se não podem negar as acusações, tentam desviá-las associando-as a uma “atividade criminosa de hackers”.

Dessa forma, enquanto jornalistas sérios se debruçam e esmiúçam os fatos que vieram à luz com a #VazaJato, O Globo reverbera a narrativa dos hackers defendida pelo governo. O engraçado é que quando Sérgio Moro vazou uma conversa entre Dilma e Lula em 2016, não houve a mesma preocupação sobre as ilicitudes de um juiz de primeira instância grampear a presidente em exercício.

Mas seria a #VazaJato fruto da ação de hackers? O Telegram em seu perfil oficial do Twitter nega que tenha havido falha de segurança. Ainda, DeltanDellagnol se recusou a entregar seu celular para a Polícia Federal investigar o caso. Outra vez, o promotor do powerpoint parece não ter tanta convicção sobre sua versão dos fatos.

Sobre a segurança do Telegram, não fiquemos apenas com a palavra da empresa. Vamos nos lembrar que há alguns anos atrás houve uma polêmica envolvendo o aplicativo, pois havia indícios de que o grupo terrorista Estado Islâmico utilizava o app para coordenar ataques sem serem descobertos. É desse tipo de segurança criptográfica que estamos falando.

Portanto, a versão governista de que os vazamentos tenham se dado por ação de hackers parece muito estranha. Anos atrás quer dizer que hackers tupiniquins poderiam ter ajudado no combate ao Estado Islâmico? É difícil de engolir. Vamos lembrar que as mensagens vazadas pelo The Intercept Brasil eram de um grupo contendo outras pessoas além do promotor e Moro. Não seria a primeira vez que alguém na política teria “virado a casaca” nem no Brasil, muito menos no mundo.

De qualquer forma, só podemos especular. Isso até DeltanDallagnol ou Sérgio Moro se prestarem a entregar seus celulares à Polícia Federal para apuração. Afinal, quem não deve não teme, e caso os vazamentos tenham sido fruto da atividade de hackers e tenham sido alteradas, ninguém melhor que a PF para tirar a teima. Mas estranhamente ambos se recusam.

Enquanto isso não acontece, os próximos capítulos da #VazaJato prometem. Segundo o The Intercept Brasil, o conteúdo exposto até agora não é nada comparado a totalidade do dossiê do qual eles dispõem. O que joga um manto de incertezas sobre o que está por vir.Essa semana Fernando Henrique Cardoso foi o foco dos vazamentos.

Enquanto isso, assistimos os integrantes do judiciário (membros do STF inclusos) se debaterem como baratas envenenadas, trocando os pés pelas mãos, dando declarações absurdas e tentando a todo custo fugirem das consequências de suas ações. Que sirva de lição, pois Montesquieu não teorizou a separação entre os poderes Judiciário, Executivo e Legislativo à toa. Quando um tenta violar o espaço do outro, esse é o caos no qual nós, o povo governado, somos lançados.

Da Redação

RO24horas


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