#VazaJato: O grande vazamento de conversas entre Moro e Dellagnol

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Nem mesmo os maiores críticos à Lava Jato poderiam um dia sonhar que esse dia chegaria: vazaram anos de trocas de mensagens entre o antigo juiz federal Sérgio Moro e o promotor Deltan Dellagnol.

Não que o conteúdo dos vazamentos surpreenda quem conhece a fragilidade da condenação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a atribuição de um triplex a Lula sem provas, além do mesmo imóvel já ter sido alienado em favor dos credores da OAS – O triplex não era do ex-Presidente?

Fora o fato de Moro, na época juiz federal do caso, ter negado cinco vezes o pedido da defesa de Lula de vistoriar as supostas reformas realizadas no triplex como pagamento de propina. Pagamento de propina que supostamente teria sido feita a Lula em um imóvel que não conseguiram provar que era seu.

Só de negar-se cinco vezes o direito de a defesa confirmar a realidade dessas benfeitorias era o suficiente para perceber que alguma coisa tinha de errado nessa acusação. O que o juiz federal e o promotor do caso tinham a esconder?

Pra quê tanto desespero em condenar Lula fazendo uso de acusações tão mal embasadas que nem mesmo o próprio promotor tinha tanta convicção como dizia ter nas suas apresentações de powerpoint?

Só estando ocupado demais espumando de ódio para não enxergar o absurdo de tudo isso e se surpreender com o conteúdo dos vazamentos dessa semana.

Então, não, o conteúdo não surpreende. Mas nem nos mais belos sonhos imaginava-se que as falcatruas da Lava Jato seriam expostas de maneira tão categórica e chocante como o The Intercept expôs – “O Rei está Nu!”

Nem mesmo Reinaldo Azevedo, autor do termo “Petralha”, conhecidíssimo antipetista que, entretanto, já vinha há um bom tempo denunciando a arbitrariedade contra o ex-presidente na Lava Jato, deixou de se expressar diante desse furo jornalístico – talvez o maior do ano desde a exposição da ligação da família Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro.

Os ministros do STF já começam a emitir suas declarações sobre a possível anulação da condenação de Lula e explicam que a inviolabilidade da privacidade do servidor público não se aplica em casos de conduta ilegal.

Ficou tudo claro e desnudado para o país inteiro. A condenação de Lula teve objetivo político: impossibilitá-lo de concorrer a presidência. O vazamento de conversas entre Lula e a então Presidente Dilma Rousseff, também: impedir que o ex-Presidente assumisse a Casa-Civil.

Mas não foi só isso. Antes fosse. A Lava Jato também foi responsável em boa parte pelo agravamento da situação política e econômica no Brasil. Alimentou o movimento de impeachment contra uma Presidente que não havia cometido crime de responsabilidade e abalou a legitimidade das instituições democráticas do país.

Além disso, a operação também arruinou setores econômicos estratégicos do país: foi um crime de lesa-pátria. Acabou com o setor de construção naval, derrubou as ações da Petrobras e abriu caminho para entrega das reservas de petróleo brasileiras. E muito mais.

Mais grave que isso, atuou politicamente para favorecer um candidato à presidência nas Eleições de 2018, podendo ter sido determinante para a ascensão de um projeto econômico que visava a privatização de empresas estatais e entrega de recursos naturais à exploração estrangeira.

A operação Lava Jato é agora ré confessa pelo assassinato do projeto de desenvolvimento econômico do Brasil. Instrumentalizou o sistema judiciário em seu lawfare para desmantelar a economia brasileira para privilegiar grandes companhias multinacionais e interesses geopolíticos de outros países.

Foi assim que o Brasil voltou a ser subserviente dos Estados Unidos. E antes que se atrevam a defender esse caminho econômico e geopolítico, a economia brasileira não se beneficiou em absolutamente nada com isso.

Eis as consequências diretas e indiretas da Lava Jato: mais de 13% de taxa de desemprego; projeções cada vez menores de crescimento do PIB; privatização de empresas e recursos naturais estratégicos para o país; perda do protagonismo brasileiro na economia e na geopolítica mundial; inflação; a eleição de um projeto político e econômico entreguista, associado a milícias, e sedento para realizar os cortes de sua austeridade fiscal na carne do povo trabalhador.

Os tempos são de fatos sombrios e hoje sabemos muito bem quem são os culpados. Mas ainda precisamos aguardar os desdobramentos da #VazaJato. Incontestável, é que a anulação da condenação de Lula é necessária, além da responsabilização dos envolvidos nesse caso, que pode ficar conhecido como o maior escândalo da história recente do país, a começar pela exoneração de Moro do Ministério da Justiça.

É preciso averiguar qual foi o papel de Estados estrangeiros, visto que estes foram os maiores beneficiados pelo martelo da Lava Jato na economia brasileira. E sobra uma questão ainda mais assustadora: De que forma as eleições de 2018 foram comprometidas pela ação criminosa de Moro e Dellagnol e o que fazer agora?

Da Redação


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