Xenofobia no Brasil: O que isso diz sobre nós?

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Nos últimos 10 anos têm crescido o debate sobre a imigração e os refugiados no Brasil. Desde o século XIX pode-se registrar um grande fluxo de imigrantes, principalmente europeus (desconsiderando a chegada dos portugueses em 1500 que foi caracterizada pelo extermínio de indígenas e a chegada dos negros escravizados, que não tiveram escolha de virem para o Brasil).

A partir da segunda metade do século XX o perfil dos imigrantes e refugiados mudou, sendo eles principalmente latino-americanos. Entretanto, apenas nos últimos 10 anos que vemos manifestações mais explícitas e extremas de xenofobia se tornarem mais rotineiras, assim como conflitos entre brasileiros natos e grupos de imigrantes, especialmente nas cidades pequenas na região Norte, próximas à fronteira da Venezuela.

Primeiramente, é necessário distinguir imigrantes de refugiados. Os imigrantes são pessoas que decidem deixar seus países natais por questões econômicas, familiares, entre outras. Já os refugiados deixam seus países para fugir de perseguições políticas, étnicas, religiosas – isto é, o refugiado deixa seu país por uma questão de sobrevivência.

No entanto, segundo reportagem do G1 de 2016, alguns casos como a imigração dos haitianos têm sido beneficiados pela legislação acerca da concessão de refúgio no Brasil. Mesmo que na lei não estivesse prevista concessão de asilo para vítimas de desastres naturais, após o terremoto de 2010 no Haiti, a situação do país ficou tão crítica que a requisição de residência permanente passou a ser concedida em caráter humanitário.

Ainda, com a guerra na Síria o Brasil também começou a receber refugiados desse país. Mais recentemente, também começou a aumentar o número de imigrantes venezuelanos por conta da crise econômica e política na Venezuela.

A guerra, a crises econômicas e políticas já caracterizaram no passado a imigração e refúgio de europeus, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, os imigrantes e refugiados não enfrentavam os mesmos problemas que os atuais. Isto se deve ao fato de os atuais imigrantes e refugiados não serem brancos.

Fora isso, desde o governo Temer, temos visto um descaso do poder público em promover políticas para a inserção dos novos imigrantes e refugiados no país, o que tem levado a conflitos, especialmente em cidades pequenas próximas à fronteira com a Venezuela. O que seria complemente evitável caso o governo não tivesse escolhido ser omisso.

Mesmo considerando a omissão do poder público, o racismo tem sido em grande medida a principal razão para a xenofobia na atualidade. Acusações rasteiras de que imigrantes e refugiados estariam “roubando” empregos no Brasil, ou que “logo o Brasil não terá mais brasileiros” são alarmistas e não encontram lastro na realidade. Comparado com outros países como Estados Unidos e países europeus, o fluxo migratório para o Brasil é mínimo.

Além disso, a situação do desemprego no Brasil dificilmente poderia ser atribuída aos imigrantes e refugiados. É extremamente desonesto jogarmos essa conta para quem acabou de chegar. Vivemos um período de crise econômica e política causada por um fenômeno de desindustrialização, elevação da taxa de juros, inflação, além da desestabilização das instituições democráticas, como o impeachment de Dilma Rousseff e os escândalos que só hoje estão se revelando sobre a Lava Jato.

Ainda por cima tivemos o governo Temer e, agora, Bolsonaro impondo políticas de austeridade e privatização, entre outras políticas econômicas, que beneficiaram apenas o mercado financeiro. Fora as caneladas de Bolsonaro na política externa prejudicando parcerias estratégicas de exportação e importação em sua cruzada quixotesca contra o comunismo – a China abriu mão de comprar soja brasileira em favor da soja americana.

Dessa forma, fica claro que o problema que o brasileiro tem com os imigrantes e refugiados desse último período não possui nenhuma justificativa plausível. Não passa daquele racismo estrutural que herdamos da época da escravidão e que o brasileiro sempre tenta esconder. Como quando, por exemplo, deixamos de reconhecer que pessoas negras não imigraram para o Brasil, mas que sucessivas gerações foram sequestradas e escravizadas durante três séculos.

Da Redação


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