A saia justa no caso dos hackers de Moro presos pela Polícia Federal

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Causam espanto a facilidade da descoberta da quadrilha e a reação contra a investigação da PF do The Intercept e de seus aliados

Golpes baratos desmancham no ar. Apurações de escândalos políticos costumam ser acidentadas, uma verdadeira corrida de obstáculos para as partes de alguma maneira envolvidas. Mesmo quando parecem esclarecidos, estão sempre sujeitos a reviravoltas. Daí a surpresa entre quem é do ramo com a aparente facilidade com que a Polícia Federal desvendou o esquema de hackers — apontados como responsáveis por bisbilhotar os telefones de Sérgio Moro, de investigadores da Lava Jato e de centenas de outras pessoas –, obteve confissões, acesso facilitado a informações em nuvens, e rastros de dinheiro para o pagamento da empreitada criminosa.

O que chama a atenção nem é a reconhecida competência da PF, bem qualificada tecnicamente, para rastrear crimes dessa natureza. Mas o excesso de amadorismo e deslumbramento dos supostos hackers que sugerem desejo, pelo menos por parte da turma, de ter seu feito reconhecido. Ainda mais quando, pela narrativa da PF, seria mais um golpe de uma quadrilha que ganha grana com golpes no submundo da internet.

Causa igual espanto a reação do pessoal do site The Intercept e de seus aliados. Fogem da acusação, explícita em um tuíte de Sérgio Moro, de que essa quadrilha seria a fonte das mensagens divulgadas pelo site e por seus parceiros na imprensa. Se for, não invalida o que foi publicado desde que não tenha sido adulterado. Mas, em vez de simplesmente dizerem que nada têm a ver com esses supostos golpistas, eles atacam a investigação da Polícia Federal como “farsa”, “golpe”, “cortina de fumaça”, “ameaça à liberdade de imprensa” para encobrir os “crimes” de Moro por eles denunciados. Muito grito e nenhuma explicação, uma aparente saia justa.

A revista Veja e a Folha de S Paulo, parceiras do The Intercept, defenderam a própria atuação no caso, com a divulgação de parte das mensagens trocadas entre o procurador Deltan Dallagnol com Moro e sua turma na Lava Jato, mas esclareceram que  souberam apenas que a origem do material foi uma fonte anônima.

A questão que salta aos olhos não é a preservação da fonte, um direito constitucional, mas, sim, a pressa em denunciar como farsa a prisão pela Polícia Federal, em um operação autorizada pela Justiça, de uma suposta quadrilha  acusada de bisbilhotar ilegalmente telefones alheios em troca de grana. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Já a irada reação do PT, na nota em que acusa a investigação da PF de ser “mais uma armação contra o partido”, é justificável.  Em entrevista à imprensa, o advogado Ariovaldo Moreira, defensor do DJ Gustavo Elias Santos, disse que seu cliente teria ouvido de seu comparsa Walter Delgatti Neto a intenção de vender o grampo de Moro ao PT. Até agora, sem nenhum indício ou prova alguma.

A investigação da Polícia Federal, sem nenhuma dúvida, deu uma guinada no jogo. Seus desdobramentos vão mostrar o tamanho de seu alcance. É o velho ditado: o pau que bate em Chico bate em Francisco.

A conferir.

Por Andrei Meireles


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