Aparência acima de tudo: A reação dos procuradores à nomeação de Moro no governo Bolsonaro

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Sábado e domingo foram dias de prato cheio para os vazamentos da Lava Jato. Neste artigo abordaremos os diálogos publicados no sábado, nos quais fica claro que os procuradores do Ministério Público tinham consciência das violações que Sérgio Moro e a Lava Jato cometiam. Além disso, os procuradores estavam preocupados com o ingresso de Moro no Ministério da Justiça do governo Bolsonaro.

Nos diálogos do Telegram publicados no sábado, os procuradores mencionam claramente terem conhecimento da conduta questionável de Moro. Uma das procuradoras chega até mesmo a declarar que foi feita vista grossa sobre os métodos do ex-juiz federal por conta dos resultados obtidos.

A declaração foi feita em tom de preocupação, pois havia rumores de que Moro ingressaria no governo Bolsonaro. O que sugeria que o ex-juiz federal tinha algo de concreto para se encontrar, caso ele assumisse o Ministério da Justiça e com isso fossem levantadas suspeitas. Fica claro que a preocupação era que a Lava Jato perderia a aparência de imparcialidade, pois para os procuradores estava evidente que Moro agia ilegalmente.

Mas qual o real problema de Sérgio Moro se tornar ministro de Bolsonaro? Os procuradores reconheciam que caso o magistrado assumisse o ministério, ele estaria se colocando em local de subordinação em relação a Bolsonaro. Passaria a responder diretamente ao presidente eleito, além de ter que justificar eventuais polêmicas do governo.

Os agentes do Ministério Público também se preocupavam que o aceite de Moro significaria a legitimação da narrativa do PT, de que o ex-juiz federal teria agido com agenda política e que Lula teria sido perseguido. Um dos procuradores chega a lembrar que um dos fundamentos do pedido feito pela defesa do ex-presidente ao comitê da ONU é de que Sérgio Moro teria sido parcial.

Entretanto, outros procuradores demonstram desconfiança em relação ao ex-juiz. Destacam que é inquisitivo e que sua atitude de influenciar os rumos da acusação desqualifica o trabalho do Ministério Público, considerando até que esse tipo de precedente favoreceria delegados a mandarem e desmandarem nas denúncias.

Mais escandalizante ainda é o fato de os procuradores declararem que Sérgio Moro possuía uma “cota de absolvição” para aparentar imparcialidade, mas deixando brechas para os procuradores entrarem com recurso e, então, conseguirem uma condenação. Além disso, segundo os diálogos, o ex-juiz já era famoso pela sua conduta heterodoxa desde 2008, e que inclusive era louvado por agentes do MPF que alegavam aprender muito com ele.

Ainda, quando Bolsonaro se elegeu, sua esposa comemorou sem nenhum pudor a vitória do candidato no Twitter. Os procuradores, indignados com a falta de discrição, taxam o casal de simplórios do interior. Parecem estar familiarizados com a importância de manter as aparências, como veteranos observando os deslizes dos calouros.

Sendo assim, mais peças do quebra-cabeça se encaixaram sobre a força-tarefa da Lava Jato no jogo político brasileiro. A que pese o fato de Moro ter agido pela sua própria vaidade em aceitar o cargo no governo, não era estranho aos membros do MPF um magistrado cair nas graças de um presidente. O principal problema para esses agentes públicos era a aparência da coisa toda: Moro estava dando muita bandeira – e sua esposa, pelo visto, ainda mais.

Da Redação


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