Moro atenta contra a Liberdade de Imprensa

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Na tarde desta terça-feira (02), Glenn Greenwald, do The Intercept, denunciou em seu Twitter uma tentativa de intimidação por parte da Polícia Federal que, sem base em indícios concretos e legítimos (apenas nos rumores publicados por uma conta falsa no Twitter), se dirigiu ao Coaf para que sejam averiguadas as atividades financeiras do jornalista.

Originalmente, a notícia foi publicada pelo portal de extrema-direita O Antagonista, famoso por já ter divulgado vazamentos da operação Lava Jato. O fato relatado acontece após a repercussão da série de reportagens do The Intercept Brasil que ficou conhecida nas redes como Vaza Jato.

A notícia de que a PF estaria mirando em Glenn saiu enquanto Sérgio Moro estava presente na audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e ganhou repercussão meteórica no mesmo dia.

Os deputados da oposição questionaram inúmeras vezes o Ministro da Justiça se era verdade que a Polícia Federal estava mobilizada contra Greenwald. A princípio, Moro ignorou os questionamentos, mas após a insistência dos deputados, o ministro se viu obrigado a se manifestar sobre o assunto para não queimar ainda mais seu filme.

O ex-juiz federal declarou não intervir na autonomia da PF e que, portanto, não tinha conhecimento sobre as investigações. Mas claro, já não é novidade que o ministro é conhecido por meter o nariz onde não deve e por inventar mentiras, indicando testemunhas à parte acusatória em processos, intervindo na escolha de procuradores para participar de processos que julgava e até censurando aqueles que tentam melindrar seus apoiadores e mentindo perante a CCJ.

Isso, sem nem mencionarmos as críticas que sempre existiram sobre seus julgamentos na Lava Jato, e mesmo anteriores como do Banestado, que acabaram sendo anulados em instâncias superiores por conta de violações do devido processo legal.

Novamente, já havíamos prenunciado semanas atrás que era provável a radicalização do governo e do lavajatismo. Desde o início, Moro e Bolsonaro adotaram a estratégia de construir uma narrativa esquiva que fugia do conteúdo dos vazamentos e focava em atribuir aos vazamentos caráter criminoso.

Também, já lembramos exaustivamente aos incautos de que não há nenhuma evidência que corrobore a versão de que as mensagens foram obtidas por meio de invasão de celulares. Esta versão dos fatos se sustenta unicamente na palavra de Sérgio Moro e das instituições subordinadas ao governo Bolsonaro.

Fica evidente que primeiro construíram os alicerces da repressão à liberdade de imprensa no momento que, por pura conveniência, ignoraram a garantia constitucional de todos os jornalistas no Brasil de preservarem o anonimato de suas fontes e teimaram em acusar Glenn Greenwald de ser criminoso. Plantaram a ideia na opinião pública, com ajuda d’O Globo para legitimarem a repressão.

Na mesma noite que a perseguição contra o jornalista ganhou o mundo, a Freedom of the Press Foundation (Fundação Liberdade da Imprensa) publicou nota em solidariedade a Glenn e ao The Intercept e demandou ao governo brasileiro a suspensão de suas táticas de intimidação. Recomendou, ainda, que o governo se dedique a investigar aqueles que são denunciados pelo The Intercept.

Assim, fica claro que o que está ocorrendo é uma escancarada perseguição política de um jornalista que teve a audácia de desnudar os crimes cometidos pelo ex-juiz federal; uma coragem impar que falta a muitos de seus pares que o criticam e servem de meras agências de marketing do governo (e que também defendemos seu direito de praticar seu jornalismo, ainda que de má qualidade).

Entretanto, a atitude autoritária de Moro só revela seu medo e desespero. Provavelmente, há de vir à luz conteúdos ainda mais comprometedores para o ministro, que podem minar as suas chances de se candidatar a presidente em 2022.

E aos tolos da imprensa que aderiram à defesa de Moro e do governo Bolsonaro, esperemos que mudem de opinião. Pois a censura a um veículo de informação abre precedente para se censurar todos aqueles que um dia publiquem uma vírgula que desagrade a tirania.

Da Redação


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