Moro deu respostas ensaiadas e repetitivas na CCJ

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Nesta terça-feira (02) o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, participou da audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça, a qual foi convidado para prestar esclarecimentos sobre as mensagens divulgadas na série Vaza Jato pelo The Intercept Brasil e outros veículos de imprensa de renome no país.

Entre questionamentos da oposição e bajulações dos governistas, Moro destilou tons de deboche e se esquivou de perguntas polêmicas. No fim, aproveitou a confusão que se instaurou na comissão e saiu fugido, escoltado pelos deputados governistas.

O ministro repetiu muito do que vem dizendo quase que mecanicamente. Não seria uma grande surpresa se, assim como Bolsonaro, o ministro tivesse uma “colinha” escrita na palma da mão.

Durante a audiência Moro parecia ter ensaiado exaustivamente suas respostas pela maneira como muitas vezes repetiu, quase letra por letra, a alegação de que havia sido vítima de “ataques hackers criminosos”. Da mesma forma, reafirmava sua defesa confusa de que as mensagens podem ter sido alteradas, porém não há nada de mais nos diálogos.

Reiterou, também, que os diálogos representavam apenas o cotidiano da magistratura. Sobre os trechos que mostravam o juiz dialogando com procuradores do MPF sobre casos que ainda não tinham sido denunciados formalmente, alegou que se tratavam de comunicações de “notícia-crime”, outro procedimento dentro da normalidade jurídica. Ainda, voltou a insistir que não tinha mais acesso as mensagens trocadas por tê-las deletado, alegando que sequer poderiam ser resgatadas da nuvem.

O que realmente faltou foram respostas diretas a questionamentos sobre a ação da Polícia Federal, instituição subordinada ao Ministério da Justiça, demandando do Coaf a averiguação das atividades financeiras de Glenn Greenwald, em clara ação intimidatória. Nesta quarta-feira (03), a imprensa internacional se escandalizou com tal ocorrido.

Também, quando inquirido se gostaria de eventualmente ser julgado por um juiz que trocasse mensagens com a parte acusatória daquela maneira, Moro não teve coragem de responder diretamente. Na verdade, raríssimas foram as ocasiões que respondeu de maneira categórica quaisquer dos questionamentos.

Não obstante, Moro constantemente fugia de responder questionamentos adotando a estratégia de usar os resultados obtidos na Lava Jato para deslegitimar os seus inquiridores. E, sem o menor senso de ridículo, agradecia as bajulações recebidas pelos deputados governistas.

No final, após ser chamado de “juiz ladrão” pelo deputado Glauber Braga (PSOL) a sessão entrou em polvorosa, com deputados governistas se inflamando de ódio. Moro aproveitou a confusão para sair quase à francesa, se não fosse pela escolta dos deputados da base do governo que o seguiu. Entretanto, deixou a sessão sob gritos de “fujão” e “ladrão”.

Muitos podem alegar que estava em seu direito deixar a sessão no momento em que fosse desrespeitado, ou que já havia se passado seis horas de audiência e estava cansado. Não estarão errados. Deixar a audiência a qual era convidado não constitui em irregularidade, porém possui significado.

Afinal, Glenn não foi menos desrespeitado em sua audiência na semana passada. Inclusive, foi vítima de homofobia dentro da casa do povo mais de uma vez. Ainda que possam tecer todas as críticas a ela, Dilma suportou, sem perder a compostura, cerca de quatorze horas de inquisição de deputados falsos moralistas – os quais, hoje, acumulam inúmeras denúncias, investigações e até condenações.

Mesmo fugindo da raia no final, Moro manteve sua aparência de invulnerável, teceu deboches e sarcasmos, como quem estivesse acima de toda aquela mundanidade. Mas suas respostas ensaiadas, repetitivas até mesmo nas vírgulas, deixam claro que havia preocupação em se preparar para não cair em contradição.

Sendo assim, fica claro que o máximo que Sérgio Moro conseguiu nesta terça-feira foi reduzir os danos que sofreria tanto se faltasse – outra vez – à CCJ, quanto os danos de cair em grandes contradições. Ainda assim, o ministro ao optar pelo discurso mecânico e ensaiado não conseguiu reduzir as suspeitas sobre si. Porém, seu desespero em mobilizar a PF contra a liberdade de imprensa pode ter aniquilado qualquer saldo positivo que tenha conseguido acumular durante a audiência.

Da Redação


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