Moro tenta intimidar Glenn Greenwald do The Intercept

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Já havíamos refletido em artigos anteriores sobre quais seriam as possíveis reações de Sérgio Moro diante dos vazamentos de suas conversas com os procuradores da Lava Jato, na época que era juiz federal. A série de reportagens publicadas pelo The Intercept Brasil, Folha de São Paulo, Reinaldo Azevedo e até mesmo a Veja ficou conhecida como Vaza Jato e seu impacto na imagem de Moro e do governo Bolsonaro foi enorme.

Tanto foi que Moro faltou em junho à audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça e as manifestações do dia 30 de junho, além de não mobilizarem o mesmo contingente do mês anterior, foi marcada por contradições que antes eram inexistentes. Anteriormente, em outro artigo, consideramos que tudo indicava que Moro e o governo federal acabariam recorrendo à repressão à liberdade de expressão.

Relembrando, desde o início, a forma como Moro reagiu, se esquivando e acusando o The Intercept de adulterar o conteúdo das mensagens e de ter obtido os vazamentos de maneira ilegal, já sinalizava a construção de uma narrativa para justificar uma futura perseguição.

Nesta terça-feira, o portal de extrema-direita O Antagonista, que já divulgou diversos vazamentos da Lava Jato, especialmente durante as eleições de 2018, anunciou que a Polícia Federal encomendou ao “[…] Coaf um relatório das atividades financeiras de Glenn Greenwald.”

Segundo o portal, o objetivo seria averiguar se houve movimentações atípicas que possam relacionar com a suposta invasão de celulares dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Ainda, o site alega que a ação é meramente de inteligência, apenas resultando em investigação caso seja constatadas irregularidades.

Já é estranho que a PF tome essa atitude apenas baseado nos boatos de uma conta falsa do Twitter que iniciou a teoria conspiratória que envolveria bitcoins e espiões russos. Mais estranho ainda é a instituição não tomar medida proporcional para averiguar os vazamentos publicados pelo The Intercept.

Muito estranho, pois à conta falsa não é possível atribuir o ônus da prova, que é atribuído a quem acusa. Já os responsáveis pelo The Intercept, tanto são conhecidos que a Polícia Federal resolveu averiguar as atividades financeiras do seu editor-chefe. Fica evidente que a PF, enquanto instituição subordinada ao Ministério da Justiça, busca intimidar o jornalista e atenta contra a liberdade de imprensa.

Em resposta, Glenn Greenwald foi a público pelo Twitter e desafiou a tentativa de intimidação. Desafiou que investigassem o quanto quisessem, pois mesmo assim ele continuaria investigando e reportando como jornalista. Relembrou que nem as intimidações sofridas durante o caso Snowden, que expôs as entranhas da ASN, no Estados Unidos, foram capazes de interromper as reportagens do The Intercept. Por fim, ainda declarou que os grupos de liberdade de imprensa no mundo todo teriam muito a dizer sobre a situação brasileira.

Desta maneira, as táticas autoritárias de Moro e as fakenews dos grupos bolsonaristas podem até conseguir distorcer a imagem de Glenn perante a parcela mais ingênua da opinião pública. Porém, o editor-chefe do The Intercept é famoso internacionalmente e foi consagrado com um prêmio Politzer da última vez que foi tratado dessa forma, nos Estados Unidos.

Da Redação


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