O festival de compra de votos para aprovar a Reforma da Previdência

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Bolsonaro deseja mais do que tudo aprovar a Reforma da Previdência e para isso não está poupando esforços, muito menos poupando gastos. Moro ter se distanciado, tirando férias, num momento delicado como esse que tem vivido, não parece ser nenhuma coincidência. Além disso, neste mês de julho o presidente aumentou vertiginosamente os gastos com emendas parlamentares para comprar os votos dos deputados.

Foi o que o Ministro da Saúde, Henrique Mandetta deixou escapar ao site Jota quando estava no plenário da Câmara dos Deputados. O ministro afirmou que a liberação de emendas de sua pasta aos deputados federais fora um esforço para a aprovação da Reforma da Previdência. Mais tarde, à Folha de São Paulo, Mandetta afirmou que apesar da liberação das emendas ser algo normal, era óbvio que tinha por objetivo colocar em movimento a reforma.

Mesmo que seja normal, o governo irá condicionar a liberação de uma cota extra de R$20 milhões em emendas orçamentárias à votação favorável da Reforma da Previdência. Quem está responsável por averiguar o voto de cabresto é a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

Vale lembrar que esse tipo de “política” era extremamente criticada por Bolsonaro quando estava na disputa eleitoral. Gritava para todos os lados sobre uma “nova política”, moralismos rasteiros, se dizia contra o “toma lá, dá cá”. Entretanto, hoje o presidente coleciona ministros investigados e condenados e faz exatamente o que condenava: comprar votos.

Esse escândalo, que configura claramente um crime de responsabilidade – mais um para a coleção de Bolsonaro – não passou despercebido. Ivan Valente (PSOL-SP), deputado federal da oposição, entrou com ação no Supremo Tribunal Federal que deve ser apreciada nas próximas horas pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

A ação tem como objetivo impedir que a reforma seja votada em virtude da ilegal compra de votos que está sendo feita com uso de dinheiro público e escancaradamente. Ainda, as emendas extras de R$20 milhões mencionadas acima, que foram prometidas para os deputados indecisos, deveriam ter sido aprovadas antes pelo legislativo, configurando outra ilegalidade.

Porém, a coisa não parece que vai para frente, uma vez que o presidente do Supremo, Dias Toffoli, é um notório defensor da Reforma da Previdência e já foi visto nos últimos tempos atendendo a reuniões com o governo e com o legislativo para tratar do assunto da reforma. Por isso, tudo indica que a tentativa de bloquear a reforma será infrutífera.

Com o jogo todo comprado, no final da tarde manifestantes tentaram invadir o anexo II da Câmara dos Deputados para impedir a sessão. Entretanto, o presidente da câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já havia restringido o acesso às dependências e a Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada.

Dessa forma, mais uma vez o povo é ignorado pela classe política como aconteceu no governo Temer quando a PEC do congelamento dos investimentos em Saúde e Educação foi aprovada pelos mesmos partidos que hoje querem aprovar a Reforma da Previdência. E tal como aconteceu naquela ocasião, mais vale a compra de votos do que o desejo da população.

Da Redação


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