O Obscurantismo Antivacina e Anticiência

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Nos últimos anos chegaram ao Brasil diversos movimentos negacionistas e obscurantistas regados a teorias da conspiração. Os mais conhecidos, e que viralizaram como memes nas redes sociais, são os antivacinas e os terraplanistas. Como os nomes já indicam, tratam-se de grupos de pessoas que são contra a vacinação e pessoas que acreditam que a Terra seja plana.

Por mais cômico que isso pareça e renda bons memes no Facebook, o movimento antivacinas é algo extremamente perigoso para a sociedade como um todo. Os terraplanistas, apesar de serem fruto de um déficit de formação educacional, também alimentam a negação da ciência e colocam lenha na fogueira dos antivacinas.

Mas o que pensam as pessoas que se recusam a vacinar seus filhos? Bom, mal informados por quem não tem conhecimento sobre como funcionam as vacinas ou simplesmente por pessoas mal intencionadas, elas acreditam que as vacinas por conterem vírus mortos em minúscula quantidade ou antígenos que estimulam o sistema imunológico, as vacinas na verdade seriam a causa das doenças que elas se propõem a prevenir.

Se pararmos para pensar, para alguém sem muita instrução e de educação deficitária, parece algo plausível que injetar um vírus, ainda que morto, não seria a solução para prevenir uma doença. Tudo isso é completado com a desconfiança (muitas vezes justificada, mas tudo tem limite) em relação à indústria farmacêutica. Para essas pessoas, esta indústria pretende inocular doenças para poder gerar lucro com os remédios.

Entretanto, os números não mentem. Desde que os programas de vacinação no Brasil foram implementados, o país experimentou uma queda drástica e esperançosa na taxa de mortalidade infantil. Ainda, se fosse o caso de vacinas causarem doenças, o país não teria erradicado casos de Varíola ou de Poliomielite (a paralisia infantil).

Segundo Dráuzio Varella em entrevista à BBC, em 2018 o número de pessoas vacinadas no Brasil caiu para cerca de 86%, uma diminuição de 10% em relação a 2011. Por conta desta brecha é que doenças, anteriormente erradicadas, retornaram por meio da exposição da população brasileira não imunizada.

Porém, a queda da vacinação no período referido não se deveria unicamente ao movimento antivacinas. Com o desmonte do SUS que vem sendo implementado, a cobertura da saúde brasileira foi reduzida, especialmente nas regiões mais carentes.

Por outro lado, o Ministério da Saúde também cogita a possibilidade que a população mais jovem que nunca teve contato com as doenças erradicadas possam ter desenvolvido uma falsa sensação de segurança. Com isto, é possível que, somado a diminuição da cobertura do SUS, essa parcela da população tenha negligenciado a importância da vacinação.

É claro que a falta de consciência da população mais jovem sobre a importância da vacina e sua falsa sensação de segurança não é algo tão simples assim. É para esse tipo de coisa que existem as campanhas de conscientização do SUS. Então, caso não houvesse o desmonte do sistema, esse problema poderia ser facilmente contornado pelas autoridades.

Dessa forma, soma-se a desinformação propagada pelos antivacinas, a falta de postos de saúde para realizar as vacinações e campanhas de conscientização para quem nunca viu em primeira mão os horrores das doenças erradicadas. Porém, infelizmente, é possível que esta geração ainda acabe por adquirir essa vivência a um custo muito tenebroso para aqueles que forem vítimas do retorno das doenças erradicadas.

Da Redação


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