Os procuradores da Lava Jato não confiavam em Leo Pinheiro

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Neste artigo trataremos dos vazamentos da Lava Jato divulgados no domingo, onde os procuradores demonstram descrédito em relação às acusações de Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS. Os agentes do MPF explicam nos diálogos quais seriam os pontos questionáveis da negociação de delação premiada de Leo, mas que ainda assim as acusações foram utilizadas para incriminar Lula.

Os procuradores apontam que o empreiteiro mudou inúmeras vezes seu depoimento enquanto negociava uma delação premiada para reduzir sua pena de mais de 20 anos de prisão. Em praticamente todas as vezes que depunha, Leo não incriminava o ex-presidente da república. Foi só em seu último depoimento, que sequer se tratava da negociação da delação, que alegou ter realizado a reforma no tríplex para Lula em forma de propina.

Ainda, nessa mesma ocasião, mencionou pela primeira vez a existência de uma conta para pagamento de propinas para políticos do PT, porém, até hoje não forneceu provas. Foi graças a esta alegação que o caso de Lula se manteve em Curitiba, pois era o único ponto que vinculava o triplex à investigação da Lava Jato sobre a corrupção na Petrobras.

O ceticismo dos procuradores se justificava, pois reconheciam que Leo Pinheiro havia mudado suas alegações radicalmente, incluindo informações completamente inéditas. Ficaram furiosos, pois segundo um dos procuradores, Sérgio Bruno “Nunca falaram de conta”.

Também comentaram mais de uma vez sobre os anexos da proposta de delação do empreiteiro serem insuficientes e que ele precisaria “melhorá-los” – seja lá o que isso significasse. Inclusive, consideravam que os anexos não valiam a pena e que o ex-presidente da OAS era o réu com maior quantidade de provas contra si.

Não obstante, o empreiteiro também alegou, também pela primeira vez, que o ex-presidente da república teria o orientado a destruir provas de sua ligação com o PT. De acordo com os procuradores nos diálogos vazados, a única vez que Leo havia falado em destruição de provas estava se referindo a si mesmo.

Em vazamentos anteriores do The Intercept Brasil fica evidente que os procuradores estavam receosos com a denúncia contra Lula pela sua fragilidade, e no conteúdo exposto pela Folha de São Paulo tratado neste artigo, podemos entender o motivo do receio.

O elemento principal da peça acusatória eram as alegações de Leo, marcadas por diversas inconsistências e mudanças. Ainda, essas alegações só foram feitas meses depois do empreiteiro ter iniciado o cumprimento de sua pena de mais de 20 anos. A aparência era de que a prisão seria uma forma de pressioná-lo a cantar a canção que o MPF gostaria de ouvir. Aprendendo a cantar a canção certa, o Ministério Público pediu a redução da pena de Leo pela metade.

Para fechar com chave de ouro, logo após a condenação de Lula em primeira instância pelo então juiz federal, Sérgio Moro, Deltan Dallagnol se dirige ao grupo de procuradores e alerta sobre o “timing” do acordo com o empreiteiro. Deltan estava preocupado com “[…] parecer um prêmio pela condenação de Lula” em agosto de 2017.

Dessa maneira, conseguimos contextualizar a preocupação de Deltan e outros procuradores expressa nos primeiros diálogos da #VazaJato sobre a fragilidade da peça acusatória. Realmente, se o magistrado responsável pelo julgamento de Lula não fosse Moro, provavelmente a denúncia sequer seria acolhida. Não apenas por falta de provas concretas para sustentar as acusações de Leo Pinheiro, mas pela própria falta de credibilidade do empreiteiro.

Da Redação

Com informações da Folha


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