Trabalho Infantil, uma vergonha Nacional

Banner na materia inicio  816 x90

Quem diria que nosso país, que já foi referência mundial no combate à fome, discutia a implementação da educação em tempo integral, hoje estaria tendo que discutir sobre a erradicação ou não do trabalho infantil. O tema, é claro, foi levantado pelo atual presidente, Jair Bolsonaro, que se aposentou aos 33 anos quando foi eleito vereador e foi transferido para a reserva remunerada do exército.

O presidente, apesar de dizer que não pretendia propor nada nesse sentido, afirmou ser a favor de que crianças trabalhem de maneira a construir o caráter. Se for realmente o caso, talvez isso explique a falta de maturidade de Bolsonaro que se aposentou precocemente.

De toda forma, o tema explodiu nas redes sociais com muita romantização do trabalho infantil por parte de seus apoiadores e muita revolta daqueles que ainda almejam conservar os avanços do século XXI no país. Por isso, é importante que analisemos alguns dados factuais para que não caiamos em discursos rasos sobre o assunto.

Para começo de conversa, muitos daqueles que relataram suas experiências quando criança nas empresas de suas famílias não possuem dimensão de que esta não é nem de longe a situação mais comum a que crianças em situação de trabalho precoce são submetidas.

Na verdade, no mundo 70% das crianças e adolescentes nesse tipo de situação estão sendo exploradas no setor agropecuário. Muito diferente do que trabalhar na padaria da família ou vender brigadeiros e doces na escola para bancar luxos e atividade esportivas. Quem discordar talvez nunca tenha segurado uma enxada na vida.

Ainda que a África e a Ásia liderem o ranking dos continentes com maior exploração do trabalho infantil, o Brasil possui mais que o dobro em números absolutos do que Estados Unidos. São 3 milhões de crianças que atualmente vivem em situação de trabalho precoce no país. Destas, 32% são exploradas pelo setor agropecuário.

Só o estado de Rondônia possui mais de 30 mil crianças sendo exploradas, sendo que, segundo os dados do IBGE, em 2010 havia aproximadamente 78 mil crianças dentro da faixa etária de 5 a 14 anos. Estamos dizendo que quase metade das crianças no estado encontram-se em situação de trabalho precoce.

Destas 30 mil, 48,5% na agropecuária, seguido por 20,1% no comércio e reparação e o mais preocupante de tudo, 6% (ou 1800 crianças) estão sendo exploradas em atividades da indústria da transformação e extração mineral. Ainda, 8,2% estão no ramo da construção e 7,5% em serviços domésticos, onde a exploração se concentra nas meninas.

O trabalho infantil não é brincadeira e além de arruinar as possibilidades de ascensão social das crianças que, em razão da exploração do trabalho precoce, veem seu direito à educação tolhido, acaba com as chances de desenvolvimento econômica do estado.

Sem educação, não há qualificação da mão de obra; sem mão de obra qualificada pouco se pode investir no desenvolvimento econômico do estado; sem desenvolvimento econômico no estado, a remuneração e a qualidade de vida caí, assim como a arrecadação de impostos para se investir em serviços públicos. É uma bola de neve que não para de crescer.

Dessa forma, por mais que seja absurdo precisarmos discutir sobre os males do trabalho infantil, em tempos onde acredita-se em Terra plana é fundamental apresentar dados para respaldar o assunto. Trabalho infantil é muito sério, trata-se de uma das principais barreiras para o desenvolvimento dos países. Além disso, todas as crianças têm o direito de ter sua infância resguardada para se desenvolverem e serem educadas para se tornarem adultos plenamente desenvolvidos e saudáveis.

Da Redação


Todo e qualquer comentário é de inteira responsabilidade do seu autor e em nada tem a participação do site RO24HORAS
Loading...