Veja expõe novos diálogos de Moro e procuradores do MPF

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A capa da revista Veja dessa semana chegou para tirar o sono do Ministério Público Federal e do Ministro da Justiça. Trata-se de um novo capítulo da série Vaza Jato que trouxe informações ainda mais sensíveis e comprometedoras sobre a atuação de Sérgio Moro quando ainda era juiz federal.

Na sessão “Carta ao Leitor” explicam o processo jornalístico por trás da construção da reportagem. Ao longo dos últimos anos, a Veja publicou várias edições com capas que exaltavam de alguma maneira Sérgio Moro. Por isso, era importante que a revista explicasse a razão da sua mudança editorial.

Assim, a Veja explica que após semanas de trabalho em conjunto com o The Intercept, analisando o arquivo que contém as mensagens, tornou-se impossível continuar a defender Moro como um suposto herói nacional. As mensagens divulgadas pela revista deixam claro que o ex-juiz federal se comportava como parte da equipe de investigação e o MPF acatava suas ordens.

As mensagens inéditas divulgadas revelam que Sérgio Moro orientou a acusação a acrescentar provas nos processos que sabia que iriam chegar em suas mãos. Foi o que aconteceu no caso do lobista Zwi Skornicki. Deltan Dallagnol alertou, a pedido de Moro, a procuradora Laura Tessler de que ela havia esquecido de anexar um depósito do lobista a Eduardo Musa da Petrobras.

Segundo a Veja, quando Moro aceitou a denúncia apresentada pela procuradoria, com o tal depósito incluso, o ex-juiz federal chegou a mencionar o referido depósito em sua decisão, justificando o acolhimento da denúncia.

Foi revelado em vazamentos passados que Moro tachou a defesa de Lula como “showzinho”. No entanto, o ex-juiz coordenava a acusação, chegando até a ditar as provas que seriam incluídas na denúncia para quando fosse aceitá-la, citar justamente as provas que havia indicado. Quem é que estava fazendo showzinho?

A coisa consegue ficar ainda pior. Todos lembram de Eduardo Cunha, e muita gente ficou eufórica ao imaginar o ex-presidente da Câmara dos Deputados delatando seu exército de deputados comprados. Para quem não lembra, a estimativa é de que Cunha tinha distribuído propinas para mais de 200 deputados que exerceram mandato entre 2014 e 2018. E foi com este trunfo nas mãos que o deputado conseguiu se vingar de Dilma Rousseff aprovando o impeachment.

A revista Veja revelou diálogo entre Moro e Dallagnol onde o ex-juiz se mostra preocupado com os rumores de Eduardo Cunha estaria para fazer uma delação premiada. O procurador tranquiliza o ex-juiz afirmando que os rumores não procedem. Ainda, alegou que a reunião com a defesa de Cunha para receber os anexos ainda estavam para acontecer. Dallagnol ainda finaliza assegurando a Moro que o manteria a par dos acontecimentos. A que Moro responde agradecendo e reiterando ser contra a delação de Eduardo Cunha.

Ora, por mais que Eduardo Cunha parecesse o maioral na época, estava longe de realmente ser. Era apenas uma figura que conseguiu convenientemente chantagear os deputados que havia comprado e agora temiam uma delação premiada do ex-presidente da Câmara – era daí que vinha seu poder. O que significa que impedir uma delação premiada de Cunha, protegia todos esses deputados.

Dessa forma, caem por terra argumento dos fanáticos que enaltecem os fins para justificar os meios. Os meios de Moro não só podem significar a anulação das condenações que conseguiu, como tudo indica que o ex-juiz era contrário a uma delação premiada de Cunha que levaria centenas de políticos corruptos junto com ele. Dá para entender os gritos de “Juiz ladrão” de Glauber Braga. Não por coincidência, o mesmo parlamentar já havia denunciado Eduardo Cunha de ser um gângster.

Da Redação


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