Bolsonaro se distancia de Moro: Acabou o amor?

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Desde que Bolsonaro assumiu a presidência tomou por hábito utilizar analogias sobre casamento para descrever suas relações tensas com alguns aliados, dentre os quais Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, e Sérgio Moro, Ministro da Justiça. Então, isso já nos dá a licença de perguntar: acabou o amor entre Jair e Sérgio?

Vários editoriais pelo Brasil, de diversas orientações políticas têm concordado que há um crescente distanciamento entre o presidente e o ministro. As explicações são múltiplas e as implicações são duras e podem ser profundas.

O que explica esse distanciamento, em partes, é a coleção de derrotas políticas que Sérgio Moro vem sofrendo desde que assumiu o cargo no governo Bolsonaro. Dentre elas está a estagnação do seu pacote “anticrime”, principal objetivo da pasta e que foi deixado em segundo plano pelo governo, que tem prioridade em aprovar a reforma da previdência ainda esse ano.

Soma-se a isso o fato de o presidente ter radicalizado suas ações para proteger seu filho, Flávio, das investigações alimentadas pelos relatórios do Coaf. Isto é, a recente aliança com Dias-Toffoli para a concessão de liminar que suspendeu as investigações baseadas em relatórios financeiros sem autorização judicial.

Antes mesmo da concessão da liminar do presidente do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro já havia desconsiderado Moro quando não articulou ativamente sua base no congresso durante a votação sobre a mudança da subordinação do Coaf para o Ministério da Justiça. Com isto, Moro sofreu uma derrota, pois almejava trazer o órgão para baixo de sua autoridade.

Além disso, na semana passada, na ocasião da aprovação da lei do combate ao abuso de autoridade, Bolsonaro foi inquirido sobre possíveis vetos a artigos desta lei. O presidente teceu críticas ao projeto aprovado, mas apenas aos pontos que se referiam a atuação de policiais, ignorando aqueles que se referem a conduta de juízes.

Em resumo, esse distanciamento que tem sido identificado na relação entre o presidente e o ministro se baseia na falta de engajamento de Bolsonaro, fora as recusas expressas, em relação às ambições de Moro.

Ainda que possamos explicar o comportamento do presidente pela sua intenção de proteger seu “clã”, existe o fator Vaza Jato a se considerar. Isto, pois, a série de reportagens tem causado grandes danos à imagem do lavajatismo representado por Sérgio Moro.

Tal imagem associada a Moro foi um dos principais motivos de Bolsonaro nomeá-lo para pasta. Afinal, dentro do discurso moralizante e radical do presidente, uma figura moderada, antes distanciada da política, como a do ministro, era necessária para apaziguar os eleitores que, apesar de antipetistas, ainda se assustavam com as declarações bárbaras de Jair, especialmente sobre a ditadura militar.

Com a imagem manchada e enfraquecido pelas derrotas, Moro começa a perder relevância junto ao governo. No entanto, as implicações de uma possível ruptura entre o lavajatismo e Bolsonaro pode mudar toda a correlação de forças políticas.

Para esclarecer, quando se fala de lavajatismo, a expressão se refere a um grupo mais ou menos organizado de procuradores, juízes e outros funcionários do judiciário que se alinham com as práticas justiceiras e beligerantes de Moro e Deltan Dallagnol. Isto significa que caso o atual Ministro da Justiça decida deixar o governo, Bolsonaro terá de lidar com uma corporação beligerante faminta por sua cabeça.

Sendo assim, as consequências de um possível “divórcio” entre o governo e o lavajatismo, representado por Sérgio Moro, pode aprofundar a já conhecida guerra entre os poderes. Importante lembrar que muitos já falam sobre um possível impeachment, já embasando o pedido em diversas caneladas que Bolsonaro vem dado e que uma justiça isenta certamente consideraria como crime de responsabilidade. Em outras palavras, Jair tem um belo teto de vidro, mas que é protegido de pedras por enquanto. Entretanto, basta haver vontade política para as primeiras pedras acertarem em cheio. Portanto, o presidente deverá conter seus impulsos piromaníacos com seus aliados fundamentais, do contrário pode acabar se vendo numa verdadeira guerra política.

Da Redação


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