Uma nova grande recessão mundial pode estar à caminho

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Desde o começo de 2018 os Estados Unidos iniciaram uma tensão com a China, impondo taxas sobre produtos chineses. Durante o G20, o presidente americano, Donald Trump, havia fechado uma trégua com o governo chinês, porém neste começo de agosto as coisas voltaram a esquentar e agora ameaçam levar o mundo para uma recessão econômica.

A medida de Trump acabou por onerar produtos chineses de grande entrada no mercado americano, e tem como alvo favorito a Huawei, empresa de tecnologia que vem crescendo muito na atualidade.

Uma das respostas do governo chinês na semana passada foi a venda de títulos públicos americanos em massa, e foi uma das causas das grandes quedas em todas as bolsas de valores no mundo. Mais grave do que isso, no Estados Unidos ocorreu uma inversão dos valores dos títulos públicos de 2 anos e de 10 anos.

Mas o que significa essa inversão dos títulos? Vamos nos debruçar: teoricamente, quando se compra um título público, é como se o investidor estivesse emprestando dinheiro para o Estado para resgatar o montante acrescido de interesse após 2 ou 10 anos.

Em teoria, faz sentido que um título com resgate de 10 anos tenha maior rendimento do que o título com resgate de 2 anos. Afinal de contas, o investidor manteve seu dinheiro fixado naquele investimento por mais tempo. O que ocorreu na semana passada foi justamente o inverso.

Mas por que um título de 2 anos acabaria sendo mais rentável do que um título de 10 anos? Especialistas explicam que isso revela que o mercado não tem boas expectativas à longo prazo para a economia americana. Assim, ainda esperam que os títulos de 2 anos sejam lucrativos, porém à longo prazo, não acreditam que haja crescimento econômico suficiente para valer a pena esse tipo de empréstimo para o governo.

Economistas de diversas orientações políticas concordam que essa inversão é um termômetro confiável de que a economia americana está prestes a sofrer uma grave recessão ou, no mínimo, uma desaceleração séria. Em 2007, um ano antes da última grande crise do capitalismo, o mesmo aconteceu nos Estados Unidos.

Os sinais da próxima crise econômica mundial já começam a despontar pelo mundo todo. Além desta inversão americana, a economia alemã dá sinais de enfraquecimento e a produção industrial chinesa teve a maior queda em quase duas décadas.

Analisado estes fatores, podemos nos perguntar: quais os possíveis impactos para o Brasil? A economia brasileira, diferente de como era em 2008, está mais alinhada com os interesses norte-americanos. Sendo assim, as chances de descobrirmos como é viver as dimensões reais de uma grande crise do capitalismo são muito maiores.

A China e os EUA já preparam uma queda de braço sobre o Brasil. Para a sorte de Bolsonaro (que havia destratado os chineses antes de assumir a presidência) os chineses voltaram a adquirir mais soja brasileira em relação à dos EUA.

Por outro lado, os Estados Unidos querem que o Brasil comece a importar mais etanol americano, concedendo isenção fiscal para sua importação. Entretanto, isto pode ter um impacto muito pernicioso na produção nacional de etanol, e até atingir a indústria sucroalcooleira que além de beneficiar o produto aqui no Brasil, muitas vezes também pode estar envolvida com a própria produção da cana de açúcar como matéria-prima – coisa que pode colocar em risco muitos postos de trabalho no país.

Dessa forma, vale ressaltar que estas são ainda considerações muito parciais e a cada dia novidades neste campo têm surgido. No entanto, já temos um bom conhecimento sobre a subserviência de Bolsonaro e de Paulo Guedes, Ministro da Economia, aos interesses dos Estados Unidos e de Donald Trump. As expectativas para esse próximo período são negativas, certamente, mas podem ser ainda piores se o nosso país não se preparar para a tempestade que chega no horizonte.

Da Redação


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