Bolsonaro se lança em uma aventura golpista (como era de se imaginar)

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Como já havíamos mencionado, neste mês de fevereiro Bolsonaro decidiu promover uma reforma ministerial que aumentou a presença de militares em seu governo. Com isto, o governo se reaproxima das alas militares mais próximas a si e demonstra força contra seus opositores, ameaçando até mesmo o uso da Lei de Segurança Nacional.

Neste contexto, emergiu no final deste carnaval um chamamento de claras aspirações golpistas aos apoiadores de Bolsonaro pedindo o fechamento do Congresso Nacional e do STF. Soma-se a isso o fato de jornalistas terem confirmado através de suas fontes que o próprio presidente está por trás desta convocação – acusação que não foi desmentida pelo mesmo.

Muito mais do que grave, esee acontecimento joga o país no pesadelo dos anos que antecederam o golpe militar de 1964. Embora o colunista da Folha de São Paulo, Igor Gielow, defenda que o clima atual está longe de ser igual ao do período golpista dos militares, nós nunca estivemos tão próximos de reviver um dos períodos mais sombrios da história do Brasil.

A boa notícia é que, segundo Gielow, existe um incômodo dentro das forças armadas com essa situação. Ele escreve que há queixas dentro do alto oficialato, que gerou a ida do atual ministro da Casa Civil, Braga Netto, à reserva. Entretanto, o colunista admite que esta sinalização do alto escalão não é nem de longe o suficiente para conter a sanha golpista.

Afinal de contas, ainda que o alto escalão das forças armadas seja mais comedido do que o General Heleno, bolsonarista convicto, os militares mais jovens tendem a ser mais influenciados pelo bolsonarismo golpista. Com a participação em peso de militares da ativa no governo, a mensagem que se passa a esses jovens subordinados é de autorização ao extremismo.

Assim, os motins de policiais militares que têm se espalhado pelos estados da federação tornam-se ainda mais preocupantes: em caso de movimento golpista em Brasília, há hoje um contingente armado e com treinamento militar disposto a impor o autoritarismo e combater os focos de resistência que possam vir a surgir.

Entretanto, o General Santos Cruz, militar mais moderado e crítico contumaz da família Bolsonaro como um todo, se posicionou nas redes sociais contra a sanha golpista da manifestação marcada para o dia 15 de março pedindo o fechamento do Congresso e do STF. Talvez este seja o maior indicador da insatisfação da ala militar sensata contra a escalada da aventura autoritária de Bolsonaro – que, sejamos francos, nós avisamos que eventualmente ocorreria.

No entanto, ainda é incerto quais rumos a política brasileira tomará nos próximos dias. O que podemos ter certeza é de que a oposição já está se mobilizando para protocolar um pedido de impeachment de Bolsonaro por atentar contra a autonomia do legislativo e do judiciário. Ministros do STF como Gilmar Mendes, certamente se posicionarão de maneira contundente a esse respeito, mas falta saber se serão capazes de se articular politicamente para enfrentar essa ameaça à democracia, tendo em vista que alguns dos ministros já se mostraram muito afeitos à uma dose de autoritarismo.

Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, precisam criar coragem de se manifestar de maneira enérgica. Afinal de contas, eles sabem que Bolsonaro está por trás do chamamento à manifestação do dia 15 e seus nomes são diretamente citados.

Sendo assim, essa aventura golpista de Bolsonaro precisa ser respondida à altura. Diferente de suas costumeiras caneladas para desviar o foco das suas ligações com o crime organizado, esta é sua ação mais grave e que certamente constitui crime de responsabilidade e deve ser alvo de impeachment antes que jogue o país de volta ao seu passado mais sombrio – ou numa guerra civil sem precedentes.

Da Redação


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