DENÚNCIA: Agentes Penitenciários de RO pertencem a facções criminosas

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Neste mês de fevereiro o Ministério Público e a Polícia Civil de Rondônia deflagraram a operação Armagedom, como desdobramento de outras três operações que trouxeram à luz esquemas criminosos entre empresas, funcionários públicos e políticos. Neste caso, investiga-se o superfaturamento na compra de tornozeleiras eletrônicas e cobrança de propinas para cumprimento de penas.

Entretanto, nossa equipe teve acesso a uma fonte anônima cujo depoimento revela que a corrupção e o crime organizado estão enraizados no sistema prisional rondoniense de forma mais profunda do que se imagina.

Ela descreve que já presenciou diversas vezes ações criminosas cometidas por agentes do sistema prisional, além de ter sofrido ameaças e intimidações para se tornar cúmplice dos crimes.

Sobre o caso das tornozeleiras eletrônicas, a fonte afirma que intencionalmente se atrasa o máximo possível o seu fornecimento aos apenados que possuem esse direito. Isto acontece para pressioná-lo para que recorram ao pagamento de propina para que, então, “magicamente” as tornozeleiras eletrônicas sejam entregues em poucos dias.

Mas essa é apenas a ponta do iceberg. A operação Meganha de 2017, noticiada pelo portal Rondônia Agora, já havia descoberto favorecimento de detentos por parte dos agentes penitenciários. Neste episódio, descobriu-se que os agentes contrabandeavam drogas e bebidas alcóolicas para dentro dos presídios.

Ainda, segundo a reportagem houve casos de agentes que emprestavam seus carros pessoais para que apenados fossem buscar seus filhos na escola. O que nos leva ao questionamento: o que alimenta tal relação de confiança onde um agente penitenciário comete a ilegalidade de permitir que um apenado deixe o presídio sem escolta, sem monitoramento, em seu carro pessoal e para buscar seu próprio filho na escola?

Segundo nossa fonte, além do pagamento de propinas em troca de vantagens e favorecimentos, não são poucos os agentes que pertencem a facções criminosas. Daí surge essa relação de confiança tão estreita, onde um agente penitenciário sente-se confortável para pedir que um apenado busque seu filho da escola: eles pertencem à mesma facção.

Até mesmo quando um apenado da mesma facção está esperando o dispositivo para monitoramento, há uma mobilização por parte dos agentes para arrecadar dinheiro para pagar a propina necessária. Isto mostra que a relação entre esses agentes e os apenados da mesma facção é muito mais do que uma mera relação financeira: há um envolvimento pessoal.

Além disso, tivemos acesso a um áudio onde um detento relata que o assassinato de Nailson Rego, outro apenado, cometido em 2018 e atribuído a rivais, na verdade teria um agente penitenciário como autor. O detento que testemunhou o homicídio afirma que Nailson fora baleado e que o agente extraiu o projétil com uma serra improvisada para simular um esfaqueamento.

detento fala de suposta participação de agentes em execução do preso Nailson Rego

Ainda, a testemunha destaca que o modus operandi foge do padrão executado pelos detentos quando cometem esse tipo de crime. Isto, pois nestes casos os detentos costumam desferir múltiplos golpes para garantir a morte de seu rival. Portanto, o ferimento único de Nailson foge deste padrão.

Ao inquirirmos nossa fonte sobre os homicídios em presídios de Rondônia, ela afirmou categoricamente que na capital do estado, a maioria absoluta dos assassinatos de apenados tem os agentes como autores. Apenas quando as condições do crime são excessivamente evidentes, os agentes assumem a autoria, mas forjam uma situação para alegar legítima defesa.

Dessa forma, são comuns as trocas de favores, pagamento de propinas e acobertamento de homicídios. Por isso, o sistema prisional rondoniense não só está contaminado por ilegalidades, corrupção e arbitrariedades como também está infiltrado pelo crime organizado.

Da Redação


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