Ministro da Economia pode estar com prazo de validade

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Nas vésperas do lançamento do programa “Brasil Mais” de Paulo Guedes, visando o incentivo às pequenas e médias empresas, o ministro precisou cancelar em cima da hora a solenidade para responder às pressas um chamado de Bolsonaro ao Planalto. Embora o presidente tenha assinado o decreto de criação do referido programa, os ânimos entre Paulo Guedes e Jair parecem já ter tido dias melhores.

Bolsonaro, que nada entende de economia, anda frustrado com os resultados da economia que não correspondem às promessas de seu ministro banqueiro. Por conta disso, os assessores do Planalto têm comentado em anonimato que Jair deu prazo até julho para Paulo Guedes entregar resultados satisfatórios na economia.

Caso o ministro não consiga operar esse milagre em quatro meses, muito provavelmente veremos um novo nome assumir o Ministério da Economia. Isto, pois Bolsonaro tem dado a entender que intervirá na economia, o que tiraria poderes de Guedes como superministro, coisa que o banqueiro já enfatizou categoricamente que não tolerará e deixará o governo.

Segundo Tales Faria, colunista do UOL, o presidente nunca foi afeito ao liberalismo econômico – e quem conhece a trajetória de Jair na política sabe disso – e apenas abraçou as ideias de Paulo Guedes pelas promessas de resultados econômicos que poderiam ser convertidos em frutos eleitorais. Portanto, especula-se que a partir de julho possa haver uma reorientação das políticas econômicas do governo.

No entanto, uma guinada na política econômica do governo pode trazer consequências políticas severas para Bolsonaro. Isto, pois o apoio que recebe das elites econômicas, em especial do mercado financeiro, se deve justamente pela orientação liberal econômica de seu governo.

O presidente tem afastado cada vez mais os moderados da direita devido ao seu comportamento impulsivo e autoritário, fora as denúncias de corrupção e associação ao crime organizado. Sendo assim, contrariar as elites do poder econômico pode significar sua queda.

Entretanto, Bolsonaro tende a ter um comportamento fisiológico, e tenta se beneficiar e sobreviver a qualquer custo. Isto pode ser visto em sua relação com Paulo Guedes, afinal, abraçou as teses do banqueiro para garantir sua vitória eleitoral e posterior sustentação na presidência. Por conta disto, não seria uma surpresa caso ele mudasse a orientação econômica de seu governo caso tenha cacife para sobreviver sem o apoio do mercado financeiro.

Inclusive, é possível que a atual reestruturação dos ministérios de Bolsonaro, pela qual se ampliou ainda mais a presença de militares no governo, seja justamente uma forma do presidente garantir sua sobrevivência numa eventual ruptura com o mercado financeiro.

Dessa forma, os rumos para a economia já não eram animadores, pois as medidas de Paulo Guedes sempre estiveram fadadas ao fracasso. Mas mesmo que haja uma reorientação econômica do governo no segundo semestre de 2020, dificilmente poderemos acreditar que as coisas irão melhorar. Isto, porque Bolsonaro é famoso por seu autoritarismo e o mercado financeiro não irá aceitar passivamente seus interesses serem colocados de lado. Portanto, podemos esperar mais uma crise política e econômica para o futuro próximo.

Por Ernandes Martins


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