Quem foi José Mojica Marins, o Zé do Caixão

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Neste 19 de fevereiro recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento aos 83 anos de idade do cineasta, ator e roteirista José Mojica Marins, mestre do terror nacional, o Zé do Caixão. Pioneiro no terror nacional, o Mojica teve uma história memorável e que merece ser conhecida pelo povo brasileiro.

O cineasta iniciou sua carreira com pouquíssimo orçamento e lutando contra a censura da ditadura militar. Mesmo assim, o icônico Zé do Caixão, hoje em dia se tornou quase uma figura folclórica brasileira e colocou muito medo na juventude de sua época.

É inegável que o gênero de terror, cedo ou tarde, encontraria seu espaço no cinema nacional, mesmo que Mojica não tivesse sido o pioneiro. Entretanto, sua contribuição foi riquíssima para o cinema brasileiro e combinava na estética de seus filmes elementos de produções clássicas do terror internacional, como “O Nosferatu”.

Mesmo tendo se inspirado nos grandes títulos de sua época, sua obra é única e original e chegou até mesmo a reverenciar o folclore brasileiro no final de sua carreira em “Fábulas Negras”, onde traz a sua versão do Saci.

Seu estilo é muito distinto dos diretores de filmes de terror atual e não só pelo uso de muita maquiagem e quase nenhum efeito especial digital. Enquanto títulos famosos mundialmente como Invocação do Mal, Atividade Paranormal, entre outros, tenham um enfoque grande nos sustos, nos jogos de câmeras e em gerar inquietação no público, os filmes de Mojica eram muito mais macabros.

Em seus filmes, as cenas eram recheadas de sangue, mutilações e mortes explícitas e lentas, o que dava às suas obras um ar infernal, macabro e doentio. Não é à toa que o Zé do Caixão alimentou os pesadelos de jovens e crianças que ousavam furar a classificação indicativa.

Ainda, o Zé do Caixão é um personagem único, original, de humor profano, de diálogos ricos e sem paralelos no cinema, e foi o que emplacou de verdade a carreira de Mojica – tanto que ainda hoje a maioria das pessoas sequer sabem seu nome verdadeiro e confundem o ator com o personagem.

Mas ainda que muitos brasileiros não reconheçam o nome da pessoa por trás da capa preta e das unhas compridas, Mojica também fez sucesso entre o público cinéfilo no exterior, onde ficou conhecido como Coffin Joe. Inclusive, grandes nomes do horror internacional chegaram a disputar para comprar os direitos de filmagem do personagem Zé do Caixão – Roman Polanski (O bebê de Rosemary) e Roger Corman (dentre muitos títulos, “O Corvo”, inspirado no poema homônimo de Edgard Allan Poe).

Assim, mesmo quem não aprecia o gênero de terror precisa dar o braço a torcer pela sua ousadia e originalidade, especialmente tendo a maioria das suas obras tendo sido gravadas durante um período famoso pela censura, coisa que acabou definindo a carreira do cineasta.

Por isso, uma das principais características da carreira e os filmes de Mojica foi o enfrentamento à censura e a transgressão, o que faz muito sentido em sua época regada pela contracultura. Portanto, não é difícil encontrar em seus filmes referências contra à censura em forma de humor, ou mesmo nos elementos transgressores para época, como a nudez que aproximava seu estilo ao Pornô Chanchada.

Dessa forma, o mestre Mojica marcou sua passagem na história do Brasil com seus filmes de baixo orçamento e horror de alto nível. Sua originalidade, inventividade, ousadia e rebeldia com certeza farão falta no cinema nacional. Porém, fica para nós a sua obra que com certeza ainda irá inspirar os cineastas brasileiros e até mesmo os estrangeiros.

Por Ernandes Martins

RO24horas


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