Sleeping Giants, O caçador de Fake News

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Nos últimos anos as fake news (notícias falsas) se tornaram um dos maiores problemas do mundo, influenciando eleições e plebiscitos, promovendo linchamentos e disseminando teorias da conspiração pelo mundo todo. Elas tiveram influencia especialmente nas eleições brasileira, em 2018, e americana, em 2016, na votação do Brexit e, agora, nas medidas de combate ao coronavirus.

Neste contexto é que surge o Sleeping Giants, um movimento iniciado por um publicitário americano que alerta no Twitter empresas que têm propagandas sendo anunciadas em sites disseminadores de notícias falsas e discursos de ódio. Assim, a maioria das empresas quando se dão conta de que seus anúncios estão sendo veiculados nestas páginas, retiram suas publicidades.

Com isto, o Sleeping Giants tem como objetivo minar o financiamento destes sites, fazendo com que as notícias falsas e os discursos de ódio deixem de ser lucrativos. Somente o Breitbart News, cujo ex-diretor era Steve Bannon (que foi estrategista da campanha de Donald Trump e que é inspiração de parte do governo brasileiro), teve um prejuízo de oito milhões de euros na perda de anunciantes.

O movimento é independente e não conta com qualquer tipo de financiamento. Assim, em diversos países surgiram contas regionais, administradas por nativos, com nomes similares e com o mesmo objetivo, como a Sleeping Giants Brasil. A página brasileira, por exemplo, ganhou mais de 200 mil seguidores em menos de uma semana e já conseguiu que algumas grandes marcas excluíssem suas publicidades do Jornal da Cidade Online (um dos maiores propagadores de fake news durante as eleições de 2018).

No entanto, Guilherme Tagiaroli, do Gizmodo Brasil, alerta para a possibilidade de as empresas decidirem simplesmente excluir suas publicidades de todos os sites de jornalismo independente, pois seria mais fácil do que selecionar individualmente as páginas que deveriam ser excluídas.

Esta preocupação parece ser sim relevante, mas aponta para um problema que o responsável pela conta Sleeping Giants original já abordou em entrevista. Trata-se do fato de gigantes como o Google e o Facebook não possuir um critério que permita excluir essas páginas da publicidade dos anunciantes.

Portanto, a raiz do problema é a forma como a monetização dos conteúdos na internet é feita, que permite que sites que propagam fake news e discursos de ódio sejam lucrativos. Então, não basta que as empresas deixem de anunciar nessas páginas, é preciso que empresas como Google e Facebook se posicionem com seriedade contra o ódio e a desinformação nas redes.

Inclusive, ambas empresas citadas são conhecidas por defenderem a diversidade e serem contrárias às fake news. Então, um posicionamento sério e urgente, pois com as comissões que recebem pelas publicidades veiculadas em páginas que propagam ódio e mentiras, ambas caem em plena contradição.

Ainda, desde antes das eleições de 2018 no Brasil, o Facebook já disponibilizou um botão nos posts de notícias que traz mais informações sobre a veracidade do conteúdo compartilhado. Assim, isto mostra que já há um esboço de como identificar sites que propagam fake news.

Dessa forma, é possível sim abordar a raiz do problema identificando os sites que publicam notícias falsas e disseminam discursos de ódio pelas redes. O valor de iniciativas como as contas da Sleeping Giants em diversos países é de acordar as marcas gigantes pelo mundo para o fato de que precisam ter controle sobre onde seus anúncios serão veiculados.

Entretanto, para não jogar fora o bebê junto com a água do banho, tanto os anunciantes quanto o movimento Sleeping Giants devem pressionar as empresas que disponibilizam serviços de anúncios (Google e Facebook) para que suas plataformas permitam a exclusão desses tipos de sites na veiculação de suas publicidades, sem prejuízo ao jornalismo independente.

Por Ernandes Martins


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