Mourão diz que setor privado será ‘protagonista do desenvolvimento sustentável’ na Amazônia

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Vice-presidente afirma que Estado não terá o papel central no processo. Ele participou de painel com representantes de países que abrigam a floresta amazônica.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, declarou nesta terça-feira (11) que o setor privado será o “protagonista do desenvolvimento sustentável” da Amazônia. Esse protagonismo não caberá ao poder público, na opinião de Mourão, que chefia o Conselho Nacional da Amazônia Legal.

Mourão participou de uma videoconferência com representantes de países que abrigam a floresta amazônica, como Colômbia, Peru e Bolívia. Também nesta terça ocorrerá um encontro, por vídeo, com os presidentes dos países amazônicos.

Em seu discurso, lido em espanhol, Mourão destacou a importância de incentivar a bioeconomia como forma de desenvolver e preservar a floresta. Para ele, as empresas serão protagonistas nesse processo que exige criatividade e inovação, características “próprias do espírito empreendedor do setor privado”.

“O protagonista do desenvolvimento sustentável na Amazônia será o setor privado, não o Estado”, disse Mourão.

O vice-presidente afirmou que o Brasil trabalhará com o apoio de empresas e da sociedade civil para a bioeconomia ser a “nova fronteira da expansão da atividade humana na selva amazônica”.

Mourão defendeu que, além de combater crimes ambientais, é preciso desenvolver a região. Ele citou como eixos estratégicos dessa bioeconomia uma infraestrutura sustentável e o mapeamento de cadeias globais de valor compatíveis com os produtos da selva.

O vice citou a necessidade de usar os rios da região para escoar produtos, a partir de pequenos portos em povos existentes na Amazônia. Ele ainda sugeriu que bancos financiem esses empreendidos, liderados pelo setor privado.

“Para que tudo isso funcione, é necessário que se coloque dinheiro. Então, o financiamento por parte de bancos privados e bancos de desenvolvimento é fundamental”, argumentou.

Desmatamento

Mourão voltou a citar que os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam alta no desmatamento desde 2012, com um salto no último ano, o primeiro da gestão do presidente Jair Bolsonaro.

O vice reconheceu que o Brasil é cobrado pela preservação da floresta e explicou que o governo deflagrou em maio a Operação Verde Brasil 2. A ação é executada por militares das Forças Armadas para combater crimes ambientais na Amazônia.

Sem citar países ou políticos estrangeiros, Mourão voltou a dizer que há “desinformação” sobre a realidade da Amazônia e a criticar a postura “de alguns que se aproveitaram da crise para avançar em interesses protecionistas e renovar atitudes colonialistas”.

Em 2019, o governo brasileiro teve de enfrentar uma crise diplomática com o governo francês em razão da preservação da Amazônia, quando os presidentes Jair Bolsonaro (Brasil) e Emmanuel Macron (França) trocaram críticas em discursos e entrevistas.

Na oportunidade, Bolsonaro e militares que atuam no governo, entre os quais o próprio Mourão – general da reserva da Exército, reafirmaram a soberania do Brasil em seu território amazônico.

Por Guilherme Mazui, G1 — Brasília


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