Risco fiscal sobe com fala de filho do presidente; mercado vê Guedes ficando isolado no governo

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O risco fiscal subiu depois de o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, afirmar, em entrevista ao jornal “O Globo”, que Paulo Guedes terá de “arrumar mais um dinheirinho” para investimentos, indicando a possibilidade de o ministro da Economia ficar isolado dentro do governo na defesa do ajuste das contas públicas.

A avaliação é de empresários e economistas do mercado e já vinha sendo feita antes mesmo da entrevista do senador Flávio Bolsonaro se colocando ao lado do grupo dentro do governo e no Congresso que defende o aumento dos gastos públicos em investimentos, neste e no próximo ano, para combater os efeitos do coronavírus na economia brasileira.

A dúvida, por enquanto, é qual será a posição do presidente Jair Bolsonaro nesta disputa dentro do governo. Até agora, ele tem se posicionado do lado do ministro Paulo Guedes, o que seria, na visão de economistas, a sinalização de que o ministro da Economia, mesmo ficando mais isolado no governo, ainda contaria com o principal apoio.

O temor da equipe de Paulo Guedes é que o presidente, colhendo no curto prazo os dividendos políticos de gastos como os do auxílio emergencial, mude de lado e passe a cobrar medidas para elevar o investimento público sem contrapartidas, como corte de despesas, para respeitar o teto dos gastos públicos.

Segundo assessores de Paulo Guedes, até hoje Bolsonaro, sempre que o ministro da Economia era pressionado e cobrado a adotar medidas fora de sua cartilha liberal, defendeu seu “posto ipiranga”. O presidente já pediu, porém, que o ministro encontre uma fórmula de aprovar a criação do Renda Brasil ou busque a prorrogação do auxílio emergencial.

O benefício acaba neste mês, quando será paga a quinta parcela de R$ 600, medida que trouxe dividendos políticos para Bolsonaro, que aumentou sua aprovação entre aqueles que receberam o auxílio emergencial.

Segundo aliados, o presidente já sentiu esse efeito político positivo em sua viagem na semana passada ao Nordeste, região onde enfrentava resistências e agora está melhorando sua avaliação. Por isso, deseja que o auxílio emergencial se transforme num programa permanente, junto com o Bolsa Família.

Além do auxílio emergencial, a ala política do governo deseja aumentar investimentos em infraestrutura, saneamento básico e habitação e busca vencer a resistência do ministro da Economia, que não deseja estourar o teto de gastos públicos no ano que vem.

A fala do senador Flávio Bolsonaro, dizendo que Paulo Guedes precisa fazer uma “flexibilização” em sua política e “arrumar um dinheirinho” para investimentos, vai estimular a ala que defende aumentar os investimentos públicos no próximo ano para tentar garantir uma recuperação da economia brasileira.

A equipe de Paulo Guedes faz questão de destacar que não é contra o aumento dos investimentos públicos, mas que, para isso, é preciso aprovar medidas em contrapartida, como o corte de despesas públicas federais para abrir espaço no Orçamento da União para outras áreas.

O problema, na avaliação de assessores da equipe econômica, é que a ala política sinaliza querer o lado as benesses do aumento do investimento, sem o ônus do corte de gastos. Isso tiraria a credibilidade da política econômica.


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